Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

A estratosfera por cima da Antártida aqueceu subitamente - e os efeitos do fenómeno não se ficam pelo Continente Gelado

Sociedade

David Merron Photography/Getty

Têm sido batidos recordes de temperatura na camada superior da atmosfera, por cima da Antártida, que deverão ter impactos no clima noutros locais durante os próximos meses

Um evento atmosférico raro tem vindo a ganhar forma por cima da Antártida nos últimos dois meses: um aquecimento súbito que pode resultar em aumentos de temperaturas de até 30ºC nas camadas superiores da atmosfera. O fenómeno está ligado à quebra do vórtice polar (um ciclone que circula em torno dos pólos, responsável por regular a temperatura).

Cientistas da Australian Bureau of Meteorology (BOM, a agência de meteorologia da Austrália) deram-se conta do acontecimento pela primeira vez ainda em agosto, quando as temperaturas estratosféricas subiram acima do esperado. Nas semanas seguintes o aquecimento continuou a aumentar a um ritmo acelerado.

Geralmente pode ser esperado algum aquecimento na primavera, que começou há um mês no Polo Sul. No entanto, essa alteração de temperatura pode por vezes decorrer de forma demasiado acentuada. Nesse caso, as rajadas de ar da parte inferior da atmosfera entram na estratosfera, o que enfraquece o vórtice polar. O resultado é um aumento acentuado das temperaturas na parte superior da atmosfera – fenómeno a que se dá o nome de aquecimento estratosférico repentino.

Já tinha sido identificada uma subida do aquecimento na estratosfera em setembro de 2002; no entanto, desta vez prevê-se que as temperaturas excedam as registadas nesse ano, atingindo um novo recorde.

Os meteorologistas da BOM chegoaram à conclusão de que as condições na Antártida podem provocar instabilidades no clima na Austrália, segundo a revista científica Nature Geoscience.

Os efeitos do aquecimento atingirão a superfície da Terra no próximo mês e, possivelmente, estender-se-ão até janeiro de 2020. Além da subida de temperatura na Antártida, o efeito mais impactante será uma mudança dos ventos ocidentais do Oceano Antártico em direção ao Equador. Isso significa que, para regiões como o sul da Austrália e da Nova Zelândia, além da América do Sul, o resultado será um aumento de chuvas e tempestades e uma diminuição da temperatura. Pelo contrário, no norte da Austrália, a temperatura deverá aumentar e a precipitação, diminuir.