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Um rapaz de 17 anos é o mais novo nos EUA a morrer de doença associada ao uso de cigarros eletrónicos 

Sociedade

Os líquidos com sabores são umas das maiores preocupações pois atraem os mais novos

Justin Sullivan/Getty

São já 19 mortes e mais de mil de doentes contabilizados. A maioria são jovens que usaram também THC, a substância psicoativa da canábis, sozinha ou combinada com nicotina

A contabilidade oficial vai já nas 19 mortes e este rapaz de 17 anos, do Bronx, em Nova Iorque, é a vítima mais nova. Das situações já analisadas em todo o país, a idade média das mortos está próxima dos 50 anos – porque havia alguns doentes com 70 anos – mas a grande maioria das doenças ocorreu entre os mais jovens.

“Isto é uma crise de saúde pública e é preciso que se diga que estão a brincar com a sua vida quando usam as mais diversas substâncias neste tipo de equipamento”, sublinhou Andrew Cuomo, governador de Nova Iorque.

O adolescente do Bronx já estivera hospitalizado no início de setembro e fora-lhe diagnosticada uma doença respiratória associada ao “vaping”. No final do mês, voltou a ser internado, acabando por morrer poucos dias depois. “Estamos mesmo preocupados com o aumento de doenças relacionadas ao uso de cigarros eletrónicos e continuaremos a lutar por reformas que mantenham estes produtos fora do alcance das crianças".

De acordo com a administração de Cuomo, o Departamento de Política e Programas do Tabaco da cidade de Nova York, notificou logo o Departamento de Saúde sobre a causa de morte do rapaz do Bronx – e a notificação seguiu para o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC), que está a juntar toda a informação.

O surto começou com 11 casos no início de agosto – neste momento, a contagem vai em mais de mil, mas as causas específicas das doenças ainda não são claras. Para já, confirma-se um cenáro generalizado de doenças pulmonares graves em pacientes com idades entre 14 e 69 anos e que usavam pelo menos um produto em cigarros eletrónicos antes de adoecer. Em muitas situações foi também relatado o uso de produtos que continham THC, o ingrediente psicoativo da canábis, tanto isolado como combinado com nicotina.

Os comentários de Cuomo sobre esta morte ocorrem no momento em que, oficialmente, a misteriosa doença é considerada uma epidemia sem fim à vista, e depois de o CDC já ter aconselhado o fim do consumo deste tipo de cigarros eletrónicos. Ainda assim, um recurso judicial conseguiu levantar a proibição decretada de emergência a proibir produtos com sabor para uso naqueles equipamentos. "No melhor cenário, fica-se viciado em nicotina. E essa é uma luta ao longo da vida", disse ainda Cuomo, depois de acusar as empresas de comercializar intencionalmente tabaco com sabores para viciar os mais novos.