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O Homem está a alterar mais o ciclo do carbono do que o asteroide que matou os dinossauros

Sociedade

Sean Gallup/Getty Images

Um estudo feito ao longo de dez anos revela que o carbono libertado pela atividade vulcânica é residual, comparado com o da atividade humana

A atividade humana produz, anualmente, até 100 vezes mais dióxido e monóxido de carbono do que todos os vulcões da Terra. Esta é a conclusão de um estudo que se estendeu ao logo de uma década.

O Deep Carbon Observatory – um observatório constituído por mais de mil cientistas de 55 países que estuda o ciclo do carbono – publicou esta semana, na revista científica Elements, uma série de artigos onde se mostra como o gás com efeito de estufa é armazenado, emitido e reabsorvido por processos naturais e artificiais.

De acordo com os investigadores, as emissões de carbono para a atmosfera produzidas por nós ultrapassam largamente as dos vulcões, cujo gás libertado é, muitas vezes, apontado como um grande contribuidor para o aquecimento global.

O estudo refere que apenas duas décimas de 1% do carbono existente na Terra se encontram na superfície dos oceanos, na atmosfera e no solo. O restante está na crosta, no manto e no núcleo do nosso planeta, e dá pistas aos cientistas sobre como a Terra se formou, há 4,5 mil milhões de anos.

As emissões vulcânicas são uma parte pequena mas importante do ciclo global do carbono. Se a atividade vulcânica emite entre 0,3 e 0,4 mil milhões de toneladas de CO2, a atividade humana – queima de combustíveis fósseis, entre outras – lança muito mais. Em 2018 foram 37 mil milhões de toneladas de dióxido carbono.

A quantidade de CO2 libertada pelo Homem nos últimos 10 a 12 anos, segundo os cientistas, é a equivalente à que foi emitida há 66 milhões de anos, quando caiu um grande meteorito na Terra e que levou à extinção de três quartos da vida na Terra - incluindo os dinossauros.