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Estudo conclui que estereótipos no cinema limitam as aspirações das mulheres

Sociedade

Relatório realizado em julho analisou o papel das mulheres nos filmes e chegou a conclusões sobre estereótipos prejudiciais para a construção de identidade e autoestima

Um estudo feito pelo Institute on Gender in Media (instituto sobre género nos media) e pela organização humanitária Plan International concluiu que, na indústria cinematográfica, as mulheres em papéis de liderança são quatro vezes mais propensas que os homens a serem filmadas nuas. Estatísticas mostram também que 42% dos homens desempenham papéis de líderes, contra apenas 27% das mulheres.

Geena Davis, atriz e fundadora do instituto, expressou ao The Guardian que as imagens dos media podem ter um impacto positivo nas pessoas se houver uma preocupação em atingir esse objetivo. A atriz acrescentou ainda que não existem suficientes modelos inspiradores de mulheres com posições ou ocupações importantes e, por isso, é necessário tê-los na ficção para que “a vida possa imitar a arte”.

O estudo analisou os 56 filmes que mais esgotaram nas bilheteiras em 2018, em 20 países da América do Norte, Escandinávia, África, Ásia, América Latina e Europa. Concluiu-se que existem mais personagens masculinas do que femininas e que as personagens masculinas falam duas vezes mais que as femininas. Notou-se também que nenhum filme foi realizado por uma mulher; apenas um quarto teve uma produtora e só um em cada dez incluiu pelo menos uma mulher na equipa de escrita.

Foram feitas entrevistas a 10 mil jovens mulheres entre os 15 e os 25 anos sobre o papel dos media na formação da sua identidade e aspirações. A maioria das entrevistadas considerou que aquilo que vê no ecrã influencia a forma como se sente. “Na vida precisamos de uma pessoa que nos dê um exemplo e que nos diga ‘Tu consegues’. Alguém que nos encoraje”, disse uma jovem da República Dominicana.

Uma residente do Uganda deu também o seu testemunho, confessando que se sente magoada porque, mesmo considerando que consegue ser uma líder, não o será porque sente que esse é um papel só para os homens. “Vou ter de ficar sentada a ver os homens fazê-lo, mesmo que eu seja capaz de o fazer também”, disse a jovem de 22 anos.

O estudo chegou a três conclusões principais, tendo definido que estes são os objetivos a alcançar:

- Para ser, tem que se ver: é importante fazer histórias que tornem a liderança feminina visível e normal. As histórias devem encorajar as aspirações e ambições das jovens em vez de as enfraquecer.

- A sexualização e objetificação das mulheres deve ser evitada: garantir que o conteúdo exibido no ecrã não descrimina nem reforça estereótipos negativos.

- Mulheres cineastas devem ser apoiadas e financiadas: investir mais tempo e dinheiro em mulheres que têm um ponto de vista diferente e que podem incentivar jovens a seguirem papéis importantes na indústria.