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Investigação à morte de Emiliano Sala conclui que o futebolista foi envenenado por níveis tóxicos de monóxido de carbono

Sociedade

LOIC VENANCE/ Getty Images

Segundo um relatório preliminar divulgado pelo departamento encarregue da investigação à morte do futebolista Emiliano Sala e do piloto do avião onde viajava, ambas as vítimas foram envenenadas por níveis tóxicos de monóxido de carbono, ainda antes de o avião se despenhar no Canal da Mancha

A investigação à morte do futebolista Emiliano Sala realizada pelo do Departamento britânico de Investigação de Acidentes Aéreos concluiu que o jogador e o piloto David Ibbotson foram envenenados por níveis tóxicos de monóxido de carbono, ainda antes de o avião em que viajavam ter desaparecido dos radares e caído no Canal da Mancha.

Segundo um relatório do departamento encarregue da investigação, emitido esta quarta-feira, os testes toxicológicos ao corpo de Sala, o único que foi encontrado nos destroços, revelaram a exposição a níveis nocivos de monóxido de carbono antes da sua morte. Os níveis de carboxihemoglobina (COHb) no corpo do futebolista chegavam aos 58%, sendo que qualquer nível acima dos 50%, num indivíduo saudável, é considerado potencialmente fatal e pode provocar convulsões, inconsciência ou um ataque cardíaco.

Uma vez que a perda de consciência é um dos principais efeitos do envenenamento por monóxido de carbono, estas novas conclusões podem explicar como é que o piloto perdeu o controlo do avião em que viajavam. "Os sintomas mostram claramente que a exposição ao CO (monóxido de carbono) pode reduzir ou inibir a capacidade do piloto de pilotar uma aeronave, dependendo do nível dessa exposição", pode ler-se no documento.

"Os testes toxicológicos descobriram que o passageiro tinha um alto nível de saturação de COHb [a combinação de monóxido de carbono e hemoglobina]. Considera-se provável que o piloto também tenha sido exposto ao monóxido de carbono", escreveram ainda. Contudo, a investigação ainda não foi encerrada e será publicado em breve o "relatório final".

A família de Sala já emitiu uma declaração a solicitar às autoridades que recuperem os destroços do avião, ainda afundados no Canal da Mancha, para análise. Daniel Machover, advogado da família Sala, afirmou que "os níveis perigosamente altos de monóxido de carbono encontrados no corpo de Emiliano levantam muitas questões para a família. A forma como ele morreu será determinada no inquérito no devido tempo". No entanto, os familiares acreditam que "é necessário um exame técnico detalhado do avião". "A família e o público precisam saber como o monóxido de carbono foi capaz de entrar na cabine. O futuro da segurança aérea depende de saber o máximo possível sobre esta questão", acrescentou.

Em fevereiro, a autópsia ao corpo de Sala determinou que jogador morreu de lesões na cabeça e no tronco, embora a causa integral da morte não só seja apurada quando a investigação for concluída.

Emiliano Sala morreu aos 28 anos quando viajava de avião até Cardiff, onde iria assinar pelo seu novo, o Cardiff City. O avião onde se encontrava desapareceu dos radares a 21 de janeiro de 2019, e só foi encontrado duas semanas depois, no fundo do Canal da Mancha, perto da ilha de Guernsey.

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