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Versace, Coach, Givenchy, Calvin Klein e Asics: a lista de marcas de luxo a ofender o governo chinês ainda não parou de crescer

Sociedade

As marcas Versace, Coach, Givenchy, Calvin Klein e Asics foram obrigadas a pedir desculpa, depois de se referirem a Macau, Taiwan e Hong Kong como países independentes. A polémica começou quando imagens de t-shirts, nas quais algumas marcas se referem às cidades como países, começaram a circular pelas redes sociais. Desde então, que ainda não param de ser divulgados nomes de marcas que reconheciam a independência às cidades chinesas, em produtos comercializados ou no seu website. Várias figuras públicas chinesas já rescindiram os contratos publicitários com as empresas

As marcas Versace, Coach, Givenchy, Calvin Klein e Asics foram obrigadas a emitir um pedido de desculpas a todos os consumidores chineses, depois de os utilizadores das redes sociais apelaram a um boicote aos produtos das empresas. A polémica começou quando várias imagens de t-shirts comercializadas pelas marcas Versace, Coach e Givenchy se referirem a Hong Kong, a Macau e a Taiwan como países independentes da China.

Hong Kong e Macau integraram a República Popular da China no final dos anos noventa, sob o princípio "um país, dois sistemas", ou seja, apesar de pertencerem ao mesmo país, são independentes ao nível executivo, legislativo e judiciário durante um período de 50 anos, sendo que o governo de Pequim fica responsável pela gestão das relações externas e pela defesa. Taiwan é geralmente considerado como um país independente, no entanto, para o governo chinês é encarado como uma província rebelde.

A modelo chinesa Liu Wen, uma das embaixadoras da marca Coach, anunciou imediatamente que iria romper o vínculo com a marca: "A qualquer momento, a soberania e a integridade territorial da China são invioláveis. O meu descuido na escolha da marca com a qual trabalhava trouxe danos a todos; peço desculpas a todos aqui! Amo a minha pátria e resguardo resolutamente a soberania da China", escreveu nas redes sociais.

Liu publicou a mensagem juntamente com uma carta do advogado a anunciar a sua decisão de se separar da marca, uma vez que esta tinha "ferido gravemente os sentimentos do povo chinês".

Jackson Yee, membro da TFBoys, uma das bandas mais populares da China, também anunciou que vai parar de trabalhar com a Givenchy, e a atriz e cantora Yang Mi, vai rescindir com a Versace. Um comunicado publicado pelo estúdio de Yang, afirma que "a integridade territorial e a soberania da China são sempre sagradas e invioláveis". "Como empresa da República Popular da China, e Yang Mi como cidadã da República Popular da China, estamos profundamente ofendidos", pode ler-se.

O jornal estatal chinês People's Daily também criticou a Versace e a Coach por cometerem "erros tolos" durante um "período sensível". O periódico refere-se aos protestos violentes a acontecer em Hong Kong, precisamente por razões de soberania e de independência jurídica.

A americana Coach respondeu rapidamente à controvérsia através das redes sociais, afirmando que "respeita e apoia a soberania e a integridade territorial da China". "Estamos plenamente cientes da gravidade do erro e lamentamos profundamente". Segundo a marca, a t-shirt em questão era da coleção do ano anterior, e já tinha sido retirada "de todos os pontos [de venda]". "A Coach está dedicada a crescer, a longo prazo no mercado da China, e respeita os sentimentos do povo chinês", escreveram ainda.

A marca francesa Givenchy seguiu o exemplo com uma publicação no Weibo, o site chinês semelhante ao Twitter, afirmando que "deve corrigir e tomar precauções imediatas contra qualquer negligência e erros humanos". "A marca Givenchy sempre respeitou a soberania da China e aderiu firmemente ao princípio Uma China", acrescentou a declaração.

A CEO da Versace, Donatella Versace, admitiu no Instagram estar "profundamente arrependida pelo erro infeliz que foi recentemente cometido pela empresa".

A empresa japonesa de roupa de desporto Asics e a Calvin Klein também se juntaram à lista de pedidos de desculpa, depois de reconhecerem indiretamente a independência de Hong Kong, Macau e Taiwan, no seu website.

"Nós pedimos as nossas mais sinceras desculpas pelo que a imprensa [chinesa] destacou no site oficial, e declaramos solenemente que a Asics China e todos os nossos funcionários têm apoiado consistentemente a integridade territorial da nossa pátria, o princípio 'One China', bem como o facto de que tanto Hong Kong como Taiwan são uma parte inalienável da China", escreveu a marca japonesa num comunicado.

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