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Nuvem tóxica, possivelmente proveniente da libertação de gases de navios da Primeira Guerra, afeta a saúde de uma dúzia de banhistas

Sociedade

Steve Parsons/ Getty Images

Uma nuvem tóxica, que pode ter sido causada por um gás venenoso libertado por navios de guerra ou contentores com produtos químicos, despejados no Canal da Mancha, desde a Primeira Guerra Mundial, provocou vómitos, ardor nos olhos e na pele, a vários banhistas da praia de Worthing. Duas pessoas foram encaminhadas para o hospital, mas já receberam alta

Uma nuvem tóxica provocou vómitos e ardor nos olhos e pele, a quase uma dúzia de pessoas que estavam numa praia de Worthing, em Inglaterra, no fim de semana. A Agência Marítima e de Guarda Costeira já está a investigar o incidente, durante o qual várias pessoas tiveram de ser evacuadas do resort à beira-mar na zona este de Sussex, e coloca a hipótese da origem ser um gás venenoso, libertado por dezenas de navios de carga e de munições, afundados no Canal da Mancha durante a Primeira Guerra Mundial.

Segundo as autoridades britânicas, duas pessoas foram encaminhadas para o hospital, na sequência de um "incidente com materiais perigosos" na orla marítima, durante o qual "um pequeno número de pessoas" relatou sentir ardor nos olhos, na pele, e vómitos. As duas pessoas receberam alta mais tarde, mas foram aconselhadas a ir para casa, lavar a roupa e tomar um duche. As orientações dos bombeiros para os residentes também foram de que fechassem as janelas e portas, e que não arriscassem andar na rua.

Durante a guerra, alguns produtos químicos foram selados em contentores e despejados no mar, no final do conflito. Agora, teme-se que estas "bombas-relógio enferrujadas" se tenham deteriorado, causando uma "bolha" de gases tóxicos até a superfície e, em seguida, à deriva ao longo da superfície do mar e para a costa.

Em 2017 ocorreu um incidente semelhante, em Birling Gap, no qual cerca de 50 pessoas sofreram de ardor nos olhos, dores de garganta e vómitos - sintomas semelhantes aos da inalação de gás venenoso. Após esse incidente, a Agência Marítima e de Guarda Costeira disse que a causa mais provável era um naufrágio, perda de carga ou um navio em trânsito. Mas, tal como no incidente de ontem, a neblina tóxica de 2017 ocorreu depois de um período de tempestade, ventos fortes e mares agitados, que poderiam ter causado a rutura de contentores no fundo do mar.

Tim Loughton, membro do parlamento de East Worthing e Shoreham, escreveu no Twitter que a investigação foi em resposta a relatos de "banhistas afetados por algum tipo de químico que provocou uma irritação", mas não adiantou informações sobre a possível origem do químico.

Um funcionário do Coast Cafe, um estabelecimento na praia onde ocorreu o incidente, disse que os clientes estavam calmos e que "algumas pessoas estavam a queixar-se de comichão nos olhos". "Eles [as autoridades] limparam a orla marítima e nós temos as janelas fechadas e trancadas", acrescentou.