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Devemos mudar a nossa dieta antes que seja tarde de mais, alerta a ONU

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chuchart duangdaw

Segundo o mais recente relatório ambiental da ONU, o Homem deve mudar urgentemente os seus hábitos dietéticos e parar de destruir o solo, de modo a que este consiga absorver mais carbono e, assim, evitar que o aquecimento global tome proporções catastróficas

Pedro Dias

Pedro Dias

Jornalista

O relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o órgão da ONU responsável pelo estudo do clima, faz a relação entre as alterações climáticas atuais e o estado do solo e sugere a necessidade de uma agricultura mais sustentável, mudanças de hábitos alimentares e uma diminuição do desperdício de alimentos para o combate aos efeitos adversos do aquecimento global.

A atividade humana tem contribuído para a degradação progressiva dos solos, a deflorestação e a destruição de habitats naturais, a velocidades muito superiores às naturais. Todos estes processos contribuem para a libertação de dióxido de carbono do solo para a atmosfera.

Durante séculos, o solo foi uma ferramenta importante para a absorção e retenção de dióxido de carbono, mas graças à atividade humana, é agora responsável por um terço dos gases de efeito de estufa existentes na atmosfera. Os fogos florestais resultantes de alterações climáticas, o derretimento do permafrost e a desertificação estão a colocar o solo sob pressão, o que o faz libertar os gases de efeito de estufa que absorveu de volta para a atmosfera.

“Isto é uma tempestade perfeita”, comentou David Reay, professor na Universidade de Edimburgo e orientador dos autores do relatório. “Terras limitadas, a população humana a aumentar, e tudo isto envolto num cobertor sufocante de emergência climática”.

“As colheitas já estão a ser fortemente atingidas pelas mudanças climáticas, cereais como trigo, milho e arroz estão todos em risco. O nosso sistema de comida é como uma teia, o que significa que os impactos sentidos numa quinta a centenas de milhas de distância estendem-se de volta aos nossos próprios pratos”, acrescenta. “A Terra nunca pareceu tão pequena e os seus ecossistemas naturais nunca estiveram sob uma ameaça tão direta”.

Os solos acumulam atualmente cerca de 1% do carbono total do planeta, mas chegaram a conseguir acumular até 7%. Para conseguir contrariar o aquecimento global, a ONU sugere que a população mundial pare o mais rápido possível de desflorestar as florestas tropicais e de degradar o solo. Em alternativa, devem ser adotadas medidas agrícolas sustentáveis, os habitats naturais devem ser protegidos e as florestas replantadas.

“Dietas equilibradas com recurso a alimentos à base de plantas - como grãos, leguminosas, frutas e legumes - e alimentos de origem animal produzidos de forma sustentável em sistemas de baixa emissão de gases de efeito estufa, apresentam grandes oportunidades para a adaptação e limitação das mudanças climática, explica Debra Roberts, copresidente do Working Group II do IPCC, que participou no relatório.

Os solos devem manter-se produtivos, de modo a garantir que existem alimentos suficientes para a população que cresce, diz o relatório. Para tal, tem de haver diversificação: sistemas alternados que misturem a agricultura arável com a pecuária, ou as árvores e o solo sem culturas. Estes sistemas dão ao solo uma maior resistência às mudanças climáticas e melhora a condição geral do solo, a capacidade de acumular carbono e a biodiversidade do local.

“O relatório do IPCC propõe a adoção de práticas agrícolas que trabalhem com a natureza em vez de forçar a produção com o uso excessivo de fertilizantes artificiais. Um passo fundamental seria acabar com os subsídios prejudiciais de grandes culturas individuais, como milho, cana-de-açúcar, soja e combustíveis fósseis”, diz Vicki Hird, da ONG britânica Sustain.

Reay acrescenta que cultivar duas safras ao mesmo tempo faz com que o agricultor esteja menos dependente de uma só cultura, que pode ser erradicada por doenças ou condições climáticas severas. Um bom exemplo de agro-florestação é a plantação conjunta de bananas e café, já que as bananeiras fornecem a sombra que o café precisa.

Os cientistas acreditam que é essencial reduzir os gases de efeito de estufa de todos os setores do mercado, para que o aquecimento global não ultrapasse os 2ºC.

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