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"Eles ousaram dizer que utilizámos cheddar": chefe francês exige ser retirado do Guia Michelin

Sociedade

Marc Veyrat

Frederic Stevens

Um chefe francês mostrou-se indignado com a crítica gastronómica que motivou a perda de uma das suas estrelas Michelin. Segundo o mesmo, a avaliação está incorreta e revela uma “profunda incompetência” dos autores do guia, razão pela qual exige que o seu restaurante não volte a ser incluído. Os responsáveis pela atribuição das estrelas já recusaram aceder ao pedido

Marc Veyrat, chefe francês que perdeu recentemente uma das estrelas Michelin, escreveu uma carta aos editores do icónico livro vermelho, exigindo ser retirado do Guia. Na missiva, o chefe insurge-se contra a sua despromoção, em janeiro, manifestando as suas dúvidas de que os inspetores tivessem realmente visitado o seu restaurante, La Maison des Bois, em Haute Savoie.

O chefe diz ainda que, desde que perdeu a estrela, entrou numa depressão e a sua mulher teve mesmo de "esconder a medicação e as caçadeiras".

Segundo o mesmo, os inspetores do guia foram de "uma profunda incompetência" e fizeram uma avaliação errada. "Eles ousaram dizer que utilizámos cheddar no nosso suflê de reblochon, de beaufort e tomme! Insultaram a nossa região; os meus empregados ficaram furiosos", afirmou em declarações ao Le Monde.

Numa entrevista ao Lyon Capitale, Veyrat afirma que a perda da sua terceira estrela foi "uma vingança do novo diretor [do Guia Michelin]", devido aos rumores de que era amigo do seu antecessor. Além disso, afirmou também, em tom provocatório, que os críticos "não sabem nada sobre cozinha!": "Deixem-nos vestir um avental e ir para a cozinha! Estamos à espera deles. Mostrem o que conseguem fazer".

Gwendal Poullennec, diretor internacional do guia, disse que o restaurante foi visitado "várias vezes por ano desde que reabriu", e recusou retirar o restaurante do guia gastronómico. "As estrelas são atribuídas anualmente pela Michelin e não são propriedade dos chefes. São para os leitores e gastrónomos para lhes dar a oportunidade de descobrir uma experiência", explica.

O chefe despromovido não gostou que o seu pedido tivesse sido recusado e garante que vai começar a pedir aos clientes que "deixem a sua identificação" de modo a não receber mais críticos. "Não quero ver mais nenhum inspetor Michelin em minha casa!"

No guia Michelin lê-se que o restaurante de Veyrat tem uma "cozinha excecional", cujo melhor exemplo é a "balada" nos bosques "onde os sabores rebentam, escapam, entre notas herbáceas, seiva de abeto e cogumelos". Os críticos consideram que é um local pelo qual "vale a pena o desvio", tendo apenas uma única desvantagem, o preço. O menu "festa estrelada", por exemplo, custa €395 e oferece pratos que incluem ovos de truta e "camarões-reis cozidos na casca de abeto". O restaurante tem os seus próprios jardins botânicos, hortas, pomares, cria as suas próprias vacas, galinhas e peixes de água doce, faz o seu próprio pão e a sua própria cidra.

Esta não é a primeira vez que um chefe pede para ser retirado do livro vermelho. Em 2018, o francês Sebastien Bras pediu que o seu restaurante Le Suquet fosse retirado, porque não queria cozinhar sob a "enorme pressão" de uma possível inspeção. O seu pedido foi inicialmente atendido - mas em janeiro deste ano, o Le Suquet foi novamente incluído, desta vez com duas estrelas em vez de três.