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Raposa-do-ártico andou uns espantosos 3.500 quilómetros da Noruega até ao Canadá

Sociedade

Uma pequena raposa-do-ártico realizou uma travessia impressionante, da Noruega até ao Canadá, através dos glaciares. No total percorreu cerca de 3.500 quilómetros em pouco mais de dois meses

O Instituto Polar Norueguês colocou um dispositivo de localização numa raposa-do-ártico, em julho de 2017. Agora, no artigo "A longa travessia de uma fêmea através do glaciar", os cientistas divulgaram o trajeto impressionante da pequena raposa: cerca de 3,500 quilómetros, da Noruega até ao Canadá, em apenas 76 dias - uma das mais longas alguma vez registadas.

Movendo-se através do gelo marinho e dos glaciares, a raposa percorreu em média 46,3 km diariamente. Num dos dias, fez cerca de 155 km, enquanto estava no lençol de gelo no norte da Gronelândia. Segundo Eva Fuglei, um dos membros da equipa, “esta é, pelo que sabemos, a taxa de movimento mais rápida já registada para esta espécie”.

"Primeiro não acreditávamos que fosse verdade", conta a cientista. Os investigadores colocaram mesmo a hipótese do dispositivo de localização ter sido removido e levado a bordo de um barco. "Mas não, não há barcos que vão tão longe no gelo. Então nós só tivemos que acompanhar o que a raposa fez", explica a mesma.

"O gelo marinho é fundamental para as raposas-do-ártico, pelo facto de estas migrarem entre áreas, para conhecerem outras populações e encontrarem comida". Contudo, esta é a primeira vez que a migração da espécie, entre continentes e ecossistemas do ártico, foi documentada detalhadamente.

Ola Elvestuen, ministro do ambiente do governo norueguês, considera a notícia "outro exemplo de como o gelo marinho é importante para a vida selvagem no Ártico". "O aquecimento no norte é assustadoramente rápido. Temos de reduzir rapidamente as emissões para evitar que o gelo marinho desapareça durante todo o verão", afirmou.

As raposas-do-ártico pesam em média 7,5 quilos e vivem apenas três a seis anos. Apesar disso, são animais bastante resistentes, sobrevivendo no inverno, quando a comida é mais escassa, seguindo predadores maiores (como os ursos polares) para comer o que sobrar das suas refeições.

Embora a equipa norueguesa tenha acompanhado a raposa ao longo do seu trajeto, uma vez que o dispositivo de localização deixou de funcionar em fevereiro, não se sabe qual terá sido o seu destino final.