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"Ela não faz o meu género": é assim que Trump nega mais uma acusação de abuso sexual

Sociedade

Drew Angerer/Getty Images

O presidente dos EUA negou ter abusado sexualmente da jornalista E. Jean Carroll, a 16º queixosa, dizendo que a mulher não é do seu agrado

A jornalista E. Jean Carroll acusou Donald Trump de a ter abusado sexualmente nos anos 90, tornando-se assim na 16ª mulher a denunciar o presidente americano por uma conduta sexual inapropriada. Num artigo escrito na primeira pessoa, para a revista New York, Carroll conta que o ataque aconteceu no final do ano de 1995 ou início de 1996, nos provadores da loja Bergdorf Goodman, em Manhattan.

A jornalista, que na altura tinha um programa de televisão chamado "Pergunta à E. Jean", relata que Donald Trump a encontrou nos corredores da loja e terá dito: "Tu és aquela senhora que dá conselhos. Vem aconselhar-me, tenho de comprar um presente". Segundo a mesma, Donald Trump terá então pedido a sua ajuda para compra lingerie para outra mulher e, em tom de brincadeira, tentado convencê-la a servir de modelo. Carroll conta que, enquanto andava em direção aos vestiários, acreditava que estavam ambos a brincar, e ia até tentar vestir a lingerie por cima das calças de Trump, em modo de piada. Contudo, segundo a própria, Trump empurrou-a contra a parede do provador e violou-a.

"Enquanto escrevo isto, fico estupefacta com a minha própria estupidez", afirma Carroll, no seu artigo para a New York.

No entanto, Donald Trump, em declarações ao The Hill, diz que este relato é "completamente mentira" porque "primeiro, ela não faz o meu género. Segundo, isso nunca aconteceu". O presidente americano negou todas as acusações que lhe foram feitas de uma conduta sexual imprópria. No total, são já 16.

Segundo o mesmo, ele nunca conheceu pessoalmente E. Jean Carroll e "é uma coisa terrível que as pessoas possam fazer alegações destas". Trump considera ainda que a jornalista está apenas "a tentar vender um livro novo" e a "espalhar fake news".

Não é a primeira vez que Trump rejeitas acusações de assédio sexual com base no aspeto das alegadas vítimas. Já em 2016 respondeu a Jessica Leeds, depois desta alegar que Trump a assediou na década de 80, dizendo que ela não seria a sua "primeira escolha".

E. Jean Carroll explica ainda porque é que nunca tinha assumido publicamente o sucedido: "Receber ameaças de morte, ser expulsa da minha casa, ser demitida, ser arrastada para a lama e juntar-me às 15 mulheres que se apresentaram histórias credíveis sobre como o homem as agarrou, maltratou, rebaixou, maltratou, abusou e atacou, só para ver o homem dar a volta, negar, ameaçá-las e atacá-las, nunca pareceu muito divertido. Além disso, eu sou uma cobarde".