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Solos permanentemente gelados do Ártico Canadiano estão a derreter 70 anos antes do previsto

Sociedade

Roberto Moiola / Sysaworld/ Getty Images

Em mais um sinal de que a crise climática global está a acelerar mais do que se temia, uma expedição ao Ártico Canadiano descobriu que o permafrost já está a derreter. Sabia-se que ia acontecer, mas as previsões apontavam mais para o final do século

"O que vimos foi espantoso". Mas o espanto a que se refere Vladimir Romanovsky, professor de geofísica na Universidade do Alasca Fairbanks, não é positivo - a equipa de investigadores ficou boquiaberta perante a velocidade a que uma sucessão de verões mais quentes do que o habitual desestabilizou as camadas superiores dos blocos de gelo subterrâneos que existem há milénios. "É uma indicação de que o clima está agora mais quente do que em qualquer outra altura dos últmos 5 mil ou mais anos", garante o especialista.

Os resultados da análise dos dados recolhidos na última expedição desta equipa foram publicados na última semana no Geophysical Research Letters e estão a ser encarados com mais um sinal claro de que estamos perante uma emergência climática.

Os investigadores usaram um avião modificado para chegar a locais excecionalmente remotos, incluindo uma base de radares do tempo da Guerra Fria, a mais de 300 quilómetros do local habitado mais próximo.

Romanovsky e os colegas depararam-se com uma paisagem "irreconhecível" face ao que tinham visto nas primeiras expedições, há cerca de uma década, a ponto de levar o cientista a dizer que a cena lhe fez lembrar o resultado de um bombardeamento.

A estabilidade do permafrost é agora a principal preocupação dos investigadores, uma vez que um derretimento rápido pode levar à libertação de grandes quantidades de gases com efeito de estufa, criando um ciclo capaz de fazer as temperaturas subir ainda mais depressa.

"O degelo do permafrost é um dos pontos críticos da rutura climática e está a acontecer diante dos nossos olhos", alerta Jennifer Morgan, diretora executiva da Greenpeace Internacional. "Este degelo prematuro é outro sinal de que temos de descarbonizar as nossas economias e é já".

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