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A ciência confirma: no que toca ao amor, todos temos um “tipo” de pessoa

Sociedade

Getty Images

Um novo estudo vem provar que todos nós temos um “tipo” amoroso. E mesmo quando tentamos fugir a este “tipo” - por uma relação passada que correu mal, por exemplo - acabamos inconscientemente por voltar a escolher um parceiro semelhante

Pedro Dias

Pedro Dias

Jornalista

Se já sofreu de desamores provavelmente já pensou em mudar de “tipo” de pessoa com quem mantém uma relação amorosa. Contudo, segundo a ciência, isso pode não ser tão fácil quanto parece. Um estudo publicado na passada segunda-feira na revista científica norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences mostra que o mais provável é uma pessoa procurar o amor sempre com o mesmo “tipo” de pessoa.

“Quando uma relação acaba, é comum atribuir a culpa à personalidade do ex-parceiro e decidir ir em encontros com um tipo diferente de pessoa”, diz Yoobin Park, estudante do Departamento de Psicologia da Universidade de Toronto, nos EUA, e principal autor do estudo. “A nossa investigação sugere uma forte tendência para, ainda assim, continuar a sair com pessoas de personalidade semelhante”.

Os investigadores da Universidade de Toronto analisaram os dados de um estudo já existente sobre casais e famílias de várias faixas etárias. Compararam então as personalidades dos parceiros atuais e passados de 332 pessoas. Observaram primeiramente uma significante consistência entre as personalidades dos parceiros românticos de cada individuo.

Para confirmar este resultado, pediram aos participantes – e a uma amostra dos parceiros amorosos de cada um – para avaliar os seus próprios traços de personalidade. Para tal, foi lhes disponibilizada uma série de frases como “costumo ser modesto e reservado” ou “faço planos e cumpro-os até ao fim”, com que os participantes teriam de revelar o seu nível de concordância ou discordância.

A análise das respostas mostrou que, de uma forma geral, os parceiros amorosos anteriores de cada individuo faziam uma descrição da sua própria personalidade semelhante à do parceiro atual. Ao ter relatos individuais e em tempo real, os investigadores acreditam ter eliminado tendências capazes de comprometer os resultados.

“O grau de consistência de uma relação para outra sugere que, de facto, as pessoas possam ter um ‘tipo’”, refere Geoff MacDonald, coautor do estudo. “E apesar de os nossos dados não dizerem com clareza o porquê de os parceiros de uma pessoa exibirem personalidades semelhantes, deve notar-se que encontrámos uma maior semelhança entre parceiros que entre os parceiros e o individuo em si”.

Os investigadores acreditam que estas descobertas podem ajudar os casais a manter as suas relações saudáveis. Se em cada relação se aprendem técnicas de lidar com a personalidade da outra pessoa, talvez continuar a encontrar pessoas com traços semelhantes possa não ser assim tão mau, ao ser possível transpor as técnicas anteriores para a nova relação, especula Park. Por outro lado, o investigador acredita serem necessários mais estudos sobre os benefícios e malefícios de manter relações amorosas com pessoas de personalidades semelhantes.

A base de dados utilizada para este estudo remonta a um estudo alemão lançado em 2008 sobre as dinâmicas familiares e de casais, e conta com uma amostra representativa de indivíduos adolescentes, jovens adultos e de meia-idade na Alemanha.

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