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#BlueForSudan: se já viu muitas fotos de perfil todas azuis, esta é a razão

Sociedade

YASUYOSHI CHIBA/ Getty Images

Nem sempre as partilhas virais nas redes sociais se tratam de polémicas ou desafios perigosos, desta vez, os utilizadores da internet criaram uma corrente solidária na sequência dos massacres no Sudão

Vários utilizadores das redes sociais estão a alterar a sua fotografia de perfil para uma imagem com um fundo azul. O objetivo é criar uma corrente solidária contra os massacres no Sudão.

A escolha da cor deve-se a Mohamed Mattar, um engenheiro de 26 anos, morto durante um ataque das forças de segurança sudanesas no início do mês, que utilizou uma fotografia azul como foto de perfil.

Shahd Khidir, uma influenciadora e bloguer sudanesa, a viver em Nova Iorque, partilhou a notícia da morte do seu amigo Mattar, a semana passada, ajudando a ampliar o alcance da campanha.

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"É muito difícil ser um influenciador e partilhar informações que são 'fora da marca' e que não são dignas do 'feed', mas eu não posso mais conter isto. Estou no meu escritório a chorar porque tenho tantas emoções em mim e sinto-me horrível. Há um massacre a acontecer no meu país, o Sudão, um apagão nos média e censura na internet há quatro dias consecutivos. Não há nenhum tipo de média objetivo a partilhar o que está a acontecer, exceto a Aljazeera, a quem os escritórios foram fechados. O meu amigo Mattar foi ASSASSINADO pelas Forças de Apoio Rápido. O meu melhor amigo estava escondido a 2 de junho e foi a última vez que falei com ele. Ele esteve desaparecido durante 4 dias e quando entrei em contacto com ele disse: 'Fui apanhado, espancado e maltratado, humilhado e preso e o meu telefone foi-me confiscado. Atualmente estou ferido'. E tudo o que pude fazer foi isso."

A bloguer concluiu a publicação a pedir desculpa a todas as marcas com quem tinha campanhas em curso por colocar "em pausa" o seu "calendário editorial". "Estou disposta a reembolsar tudo e mais alguma coisa imediatamente. Por favor, basta enviarem-me um e-mail."

A campanha #BlueForSudan (Azul pelo Sudão) começou no Twitter a 11 de junho e, neste momento, a hashtag é já uma tendência internacional, tornando-se num ponto de encontro para ativistas sudaneses, para relembrar Mattar e partilhar informações sobre a crise no país.

"No Sudão em apenas 3 dias: 113 mortos, 723 feridos, 650 detidos, 48 mulheres violadas, 6 homens violados, 1000 pessoas desaparecidas, a tua ajuda será apreciada, podes usar as hashtags no Twitter, mantém-nas ativas e faz com que o mundo saiba", partilhou uma utilizadora no Instagram.

Instagram

Segundo a informação disponível nas redes sociais, Mattar foi baleado por forças militares quando tentava proteger duas mulheres durante uma tentativa de dispersar os manifestantes.

Os contínuos protestos na capital, Cartum, levaram a uma violenta repressão por parte das autoridades nos últimos dias. Vários médicos acusaram os militares de perpetrarem mais de 70 violações durante um ataque a um campo de protesto na capital, durante a semana passada.

A onda de contestação está em curso desde dezembro de 2018, e apesar de Omar al-Bashir ter sido destituído da presidência em abril, depois de três décadas no comando e de ter sido posteriormente acusado de corrupção, os manifestantes dizem que continuarão com os protestos até que os militares entreguem o poder.

Vários ativistas internacionais, incluindo celebridades como Demi Lovato, Ariana Grande e Naomi Campbell, já se juntaram à campanha.

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