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Singapura acaba com rankings escolares  

Sociedade

O país com os valores mais altos do mundo em resultados académicos mostra-se agora mais preocupado com a extrema pressão a que os seus alunos estão sujeitos desde pequenos

Aprender não é uma competição. É com base nesta premissa que Singapura anuncia agora que, já a partir do próximo ano letivo, não será mais indicado em qualquer relatório escolar se este ou aquele aluno ficaram em último lugar – uma medida aprovada pelo ministro da Educação, Ong Ye Kung, com a intenção de mostrar aos alunos que “aprender não é uma competição”.

Assim, não só deixará de se mostrar a posição de um aluno em relação à turma ou ao grupo, mas também quais os resultados médios naquele ano de escolaridade, quais as notas mais altas e as mais baixas, quem/quantos foram aprovados e reprovados, as notas médias de cada instituição de ensino – e tudo o mais que possa permitir criar listagens consideradas discriminatórias e criadoras de grande pressão.

“O importante é que cada aluno se concentre no seu processo de aprendizagem e deixe de se comparar com quem está no mesmo percurso”, justificou ainda a nota ministerial, citada pela imprensa internacional, dando assim nota de alguma inversão no percurso que pôs aquele país no topo de rankings como o PISA – organizado pela OCDE, em 75 países, e que avalia o desempenho de jovens de 15 anos em ciências, matemática e leitura – através de um modelo baseado na disciplina, hierarquia e alta competitividade.

Assim, a partir do próximo ano letivo, e no caso dos alunos mais novos, as escolas usarão outras formas de avaliação, como descrições qualitativas, em vez de notas – e podem continuar a reunir informações sobre a progressão dos seus alunos através da discussão em sala de aula e trabalhos feitos em casa.

Para os mais velhos, haverá notas em cada disciplina, mas arredondadas e sem pontos decimais, para reduzir o foco excessivo nos resultados académicos. E os pais continuarão a receber informações sobre o progresso dos filhos na escola durante as reuniões com os professores.

No seu discurso para os 1700 responsáveis escolares no país, Ong Ye Kung sublinhou: “Sei bem que ser primeiro ou segundo é tradicionalmente um reconhecimento da realização de um aluno. Mas estamos a remover esses indicadores para que todos compreendem que aprender não deve ser uma competição, antes uma autodisciplina que eles precisam para a vida."

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