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É altura de mudar de emprego? Os conselhos de uma especialista em mudanças de carreira

Sociedade

Alguma vez se sentiu saturado do trabalho, achou que a profissão já não lhe diz nada e que é um sacrifício levantar-se todos os dias de manhã? Lourdes Monteiro, especialista em Career Redesign e coautora do livro Quero, Posso e Mudo de Carreira pode ter a solução para o seu problema

Beatriz Abreu Ferreira

Lourdes Monteiro, ela própria também a caminho da sua terceira mudança de profissão, decidiu investir numa velha paixão pela psicologia e adquirir uma formação enquanto coach, já lá vão 5 anos. Agora que sente que finalmente encontrou a sua verdadeira vocação, quer ajudar os outros a fazer o mesmo. Lourdes Monteiro apresenta-se como especialista em Career Redesign e fala à VISÃO a propósito do livro Quero, Posso e Mudo de Carreira (Oficina do LIvro), que escreveu com Alexandra Quadros.

Reconheça o problema e crie espaço para refletir

Segundo a especialista, o primeiro passo é valorizar a frustração e angústia que está a sentir. Não ignore, não assobie para o lado e não se contente com uma carreira que não o faz sentir realmente realizado. Seguidamente, em vez de correr para os familiares e amigos em busca de conselhos, procure criar espaço na sua vida para refletir e encontrar as suas próprias respostas. Eis as suas recomendações.

1. Utilize as ferramentas certas para moldar o seu raciocínio

O primeiro passo é tentar analisar o problema de modo objetivo. Comece por refletir sobre as suas características e as suas competências (quais as suas qualidades, defeitos e tudo aquilo que aprendeu a fazer ao longo da sua vida). Depois disso, faça uma lista dos seus interesses, o que é que gosta de fazer, de aprender e por que temas se interessa. Por último, mas não menos importante, considere o contexto em que está inserido (de que é que o mercado precisa?) .

Segundo a autora, cruzar estes três parâmetros é fundamental. “O sucesso não depende só de nós, depende também do contexto, mas também não pode depender só do contexto. É por considerarem apenas o contexto que existem tantos portugueses infelizes com o seu trabalho”, acredita.

2. Compreenda o problema

Este processo dá-lhe a possibilidade de encontrar respostas para duas perguntas importantes. A primeira é: em que situação me encontro agora e porque é que não me sinto feliz no meu trabalho? É simples, se for bom no que faz e até tiver interesse, mas se não conseguir ter sustentabilidade financeira é porque o contexto não é favorável e, nesse caso, não tem uma carreira, antes um hobby. Se for um profissional competente e até estiver a ganhar bem, mas se já não sentir interesse por aquilo que faz, está frustrado com o rumo da sua vida profissional. Caso tenha interesse e o mercado até seja favorável para a profissão em que trabalha, mas não tiver competências suficientes, então está infeliz porque se sente inseguro.

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3. Analise as respostas obtidas

A segunda pergunta é: como me posso sentir profissionalmente realizado e em que área devo investir? Existem várias carreiras nas quais todos estes campos se cruzam e onde se poderá sentir realmente realizado. Contudo, isso implicará investir no autoconhecimento e numa análise do contexto no qual está inserido.

Antes de decidir mudar de carreira, confronte os pressupostos que criou sobre o emprego onde está. Pense se realmente precisa de investir numa área diferente ou se a verdadeira razão para a sua infelicidade está num problema de relacionamento com um colega ou a chefia. Problemas na relação com os outros são muitas vezes contornáveis, sem que isso implique começar do zero numa profissão diferente. Segundo a sua experiência em career couching, Lourdes Monteiro afirma que, em 80% dos casos, as pessoas chegam à conclusão de que aquilo que precisam não é de uma mudança de carreira, mas de alterar alguns paradigmas de que estavam a partir ou resolver outro tipo de problemas no seu ambiente de trabalho.

No entanto, se chegar à conclusão que precisa mesmo de uma mudança drástica, considere várias possibilidades de carreiras alternativas. “Um caminho único pressupõe que ou resulta ou falha por completo e portanto a pressão interna é maior. Então, criam-se várias opções e isso ajuda as pessoas a lidar com a falha, porque, se uma opção falha, há outras à nossa espera que podem ser testadas e experimentadas”.

Segundo Lourdes Monteiro este tipo de questões surge geralmente entre pessoas já com alguma experiência de trabalho, com mais responsabilidades, encargos e, consequentemente, menor recetividade à mudança. Contudo, desengane-se se pensa que já é demasiado tarde para colocar este tipo de questões relativamente ao percurso que escolheu porque “esta ferramenta ser-lhe-á útil para o resto da sua vida". "Gerir uma carreira é uma maratona e um exercício continuo para a realização”, conclui.

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