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Há um português a cuidar do design da Google

Sociedade

Luis Barra

Vive com a família na Califórnia, junto ao mar, quase há sete anos. Todos os dias conduz mais de uma hora para chegar à Google, em Silicon Valley. Lá, é o único português na equipa que trata do design do gigante motor de busca. E não trocava esta vida por nada, nem pelo seu Algarve, aonde regressa sempre que pode

Ricardo Henriques, 41 anos, é um dos designers principais da Google, na sede em São Francisco, Califórnia, mas agora está numa esplanada no Campo Grande a aproveitar uma sombra fresca deste verão antecipado. A vinda a Lisboa foi rápida, pois quer sempre regressar ao seu Algarve natal, de preferência sem dormir na capital - voltou a Faro, de comboio, depois dos assuntos profissionais tratados. Até porque quem o trouxe a Portugal, desta vez, foi a Universidade onde estudou, que o convidou para uma palestra sobre design inclusivo e funcional.

Em breve voará para São Francisco para matar saudades da mulher e dos dois filhos pequenos, a quem telefona sempre a horas estratégicas para obviar o fuso de oito horas. E rapidamente estará outra vez sentado no open space da Google, a pensar em soluções de design e super bem integrado numa equipa estimulante, com gente de todo o mundo.

Ainda se lembra da excitação de quando lá entrou pela primeira vez, para a última entrevista antes de ser contratado, há sete anos. Trabalhava em Cambridge, numa boutique web design, mas assim que viu um anúncio da gigante norte-americana que lhe pareceu talhado para si (designer com experiência em utilização), apressou-se a responder. O processo decorreu de forma relativamente rápida, mas no final a coisa atrasou-se quase nove meses, por questões de imigração. Passou por uma entrevista telefónica, um exercício de design, e, por fim, a tal troca de ideias presencial que o levou à sede, apenas de 5ª a sábado. “Fui super bem tratado. Dentro do campus, pude ter a sensação de como funcionava a energia dos espaços.”

E, depois, de repente, fazia parte da equipa global. Portugueses na empresa, da última vez que contou, eram cerca de 10 e nem sempre se encontram. No seu departamento é o único.

Na altura, a família acompanhou-o na mudança, claro. Rapidamente perceberam juntos que era em Santa Cruz que deveriam assentar arraiais, porque lá sentiam-se em casa, mesmo que ficasse a 64 quilómetros do trabalho. “A Califórnia é muito parecida com a nossa Costa Vicentina, especialmente na fauna e na flora. Há a praia, onde faço surf, e os passeios a pé pela montanha, que me fazem lembrar a serra do Caldeirão.”

Ao longo dos tempos foi progredindo dentro da sua área. Começou por ser responsável pelo desenho a nível micro, da pesquisa personalizada. Mas à medida que foi entendendo melhor o produto, as suas complexidades e dinâmicas, passou a ser estratega com o foco no utilizador. “Estamos sempre à procura de formas de podermos evoluir dando mais utilidade ao motor de busca”, explica. Agora, o desafio mais recente, confidencialidades à parte, tem a ver com a pesquisa por voz – o design é muito mais abrangente do que possa pensar-se.

Depois de ir direto para a máquina do café para tirar um duplo com uma pinga de leite, Ricardo divide-se por várias reuniões, em que se trocam ideias para soluções robustas e sofisticadas. Antes, há que documentar essas propostas e essa é a parte mais criativa do processo.

Chega a casa, depois de um dia intenso, por volta das 18h45 (saiu às sete da manhã), para ainda dar um beijinho de boa noite aos filhos que vão para a cama às sete da tarde. Por fim, ele e a mulher jantam tranquilamente, com os olhos no mar, talvez a pensar nas férias anuais que passam, sempre, no Algarve.

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