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Esta mulher de 21 anos acaba de se tornar a pessoa mais jovem a viajar para todos os países  

Sociedade

A passagem pela sala da Zona Desmilitarizada da Coreia do Norte rematou a viagem, ditando o recorde mundial

D.R.

Chama-se Lexie Alford, tem 21 anos, e reclama ter estado em cada uma das 196 nações soberanas do planeta – uma conquista na qual se empenhou desde criança

Há dias, 31 de maio de 2019, culminou o grande feito: foi quando a jovem americana de 21 anos chamada Lexie Alford pisou a Coreia do Norte, batendo assim o recorde de ser a mais nova da história a pôr o pezinho em cada cantinho da Terra – ultrapassando a anterior recordista, de 24 anos. Além disso, juntou-se às fileiras históricas de outros viajantes como Cassie De Pecol, que aos 27 anos se tornou a primeira mulher a visitar todos os países, bem como a pessoa a fazê-lo o mais rápido.

Agora, só falta o reconhecimento do Livro dos Recordes, processo que poderá ser moroso e que conta com um pequeno grande obstáculo: a Zona Desmilitarizada da Coreia do Norte, onde a jovem reclama ter estado não é reconhecida pela ONU como parte daquele país.

Alford cresceu numa família que possui uma agência de viagens na Califórnia e talvez por isso a alma de viajante seja algo que esteja nos seus genes. "Viajar faz parte da minha vida desde que me lembro que existo", diz Alford, que se descreve como @LexieLimitless no Instagram – para dizer que, enquanto crescia, sempre acompanhou a família para todo o lado, desde as aldeias flutuantes do Camboja ao Burj Khalifa, no Dubai, de Ushuaia, na ponta da Argentina, até as Grandes Pirâmides de Gizé, no Egito. "Os meus pais sempre consideraram muito importante expor-me a todos os modos de vida no mundo e isso teve um impacto muito profundo na pessoa que sou hoje", diz. "A minha grande curiosidade sempre foi sobre o modo de vida dos outros e como encontram a felicidade."

Apesar de tudo isto, a jovem de 21 anos garante que não estava a tentar bater nenhum recorde, é apenas uma viajante intrépida: “No princípio, só queria esticar os meus limites ao máximo até saber o que fazer com a minha vida. Foi quando tudo se tornou de facto desafiador, porque percebi que estava a inspirar as pessoas que me seguiam”, recorda, ela que partilhou toda esta viagem na sua página de Instagram. “Queria sobretudo mostrar que não há lugares assustadores no mundo e há gente boa em todo o lado.”

Até que há três anos, o desafio de pisar cada uma das 196 nações soberanas passou a ser levado mais a sério - já com a intenção de bater o recorde mundial, lugar então ocupado por James Asquith, em 2013, aos 24 anos. Alford tinha acabado de fazer 18 anos e já estivera em 72 países, além de ter terminado o secundário mais cedo. Ainda se inscreveu numa faculdade, na sua Califórnia natal, mas acabou por se lançar primeiro num ano sabático e depois perseguir este recorde a tempo inteiro.

Segundo a jovem, as suas viagens são autofinanciadas: como quem diz, fez alguns acordos com marcas e campanhas ao longo do caminho que ajudaram a pagar o seu projeto, mas nunca teve um patrocinador oficial. “Sempre foi claro para mim que queria viajar durante uns tempos, e dai ter trabalhado sempre que pude, desde os 12 anos.”

Foi esse dinheiro que lhe pagou o primeiro ano e meio das suas viagens. Desde então, trabalha como consultora de viagens na agência de sua família quando está em casa em Nevada City, Califórnia, e também faz fotografia e blogging enquanto está a viajar.

“Pesquiso muito e com antecedência para encontrar as melhores ofertas, aproveitar todos os pontos e milhas dos meus voos, conseguir alojamento barato, em albergues e afins, ou então criar conteúdos para hotéis em troca de um quarto para dormir", diz Alford.

Instagram

No entretanto, Alford usa o seu Instagram para ir dando conselhos sobre esta sua forma de vida. "Algumas pessoas acham estranho, mas eu nunca usei um cartão telefónico estrangeiro", diz. "Se precisar de alguma coisa, prefiro sempre falar com quem esteja por perto. A ideia é estar o mais presente possível nesses lugares, porque é um privilégio ter a oportunidade de o fazer. Nunca quero perder nem um segundo disso."

O mais surpreendente, assinala Alford à Forbes, é que sempre se surpreendeu mais em destinos inesperados e perigosos do que nos tipicamente turísticos. “Há países com uma reputação tão má que muita gente não se atreve a lá ir. Mas eu vi muito mais beleza natural nesses sítios, e conheci pessoas bem mais gentis, do que nos destinos habituais. Ir a lugares sem expetativa nenhuma e ficar maravilhado com o que se encontra foi o mais gratificante deste projeto”.

Houve vários momentos mais complicados – sobretudo para nas viagens na África Oriental – mas o desafio extremo foi esse de ultrapassar o último país na sua lista: a Coreia do Norte. Depois de anos e meses a tentar contornar a proibição de entrar naquele país, teve finalmente uma oportunidade de lá por o pé. Mas pouco mais – afinal, esteve no lado norte-coreano das salas de conferência na lendária “casa azul” na Área de Segurança Conjunta da Zona Desmilitarizada não era bem o que desejava.

"Estou um pouco desapontada por não ter visitado o país adequadamente por questões políticas", diz ela. "Mas voltarei a visitá-lo assim que a proibição de viagens nos EUA for suspensa."

Agora, Alford está a passar todas estas experiências para um livro e prepara ainda a sua primeira palestra TEDx, no dia 15 de junho. A grande mais valia desta experiência? “Essa é uma pergunta que vou demorar um pouco mais a responder.”

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