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Risco de AVC, afinal, não aumenta com consumo de alimentos ricos em colesterol

Sociedade

D.R.

Muito se tem investigado sobre os benefícios ou perigos do consumo de alimentos ricos em gorduras saturadas, como os ovos. Uma nova investigação finlandesa concluiu que estes não aumentam o risco de AVC

Um estudo da Universidade da Finlândia Oriental revelou que consumir um ovo por dia, ou outros alimentos com elevada quantidade de gordura saturada, responsáveis pelo aumento dos níveis de colesterol, não está associado a uma probabilidade maior de AVC.

A investigação provou ainda que o gene APOE4, que influencia o colesterol, e é notavelmente comum entre a população finlandesa, também não está relacionado com o aumento do risco de acidente vascular cerebral.

Os estudos anteriores que abordaram esta questão obtiveram resultados contraditórios. Algumas análises encontraram uma ligação entre a ingestão elevada de colesterol e um perigo superior de AVC, enquanto outros associaram o consumo de ovos, alimento particularmente rico em colesterol, a um risco menor.

O colesterol é um tipo de gordura encontrada no nosso organismo, importante para o seu funcionamento normal. Aproximadamente 70% do colesterol é produzido pelo fígado, enquanto que os outros 30% são provenientes da nossa dieta. Contudo, ao consumir grandes quantidades de alimentos com abundância de gorduras saturadas, o fígado acaba por produzir mais colesterol do que o que seria saudável.

Para a maioria das pessoas, o colesterol proveniente da alimentação desempenha um papel muito pequeno. No entanto, em portadores do gene APOE4 o efeito do colesterol dietético é maior. Na Finlândia, a prevalência do APOE4, que é uma variante hereditária, é excecionalmente alta - aproximadamente um terço da população é portadora. No entanto, os dados de pesquisa sobre a associação entre uma ingestão elevada de colesterol dietético e o risco de AVC nesse grupo populacional não estavam disponíveis até agora.

Para a realização do estudo foram analisados os hábitos alimentares de 1.950 homens entre os 42 e os 60 anos, sem doenças cardiovasculares, de 1984 a 1989. A informação relativa à presença do gene APOE4 estava disponível para apenas 1015 participantes e, destes, só 32% eram portadores. Nos 21 anos seguintes, 217 foram diagnosticados com AVC. As conclusões revelaram que nem uma dieta rica em gorduras, nomeadamente através do elevado consumo de ovos, nem a presença do gene APOE4, estavam associados a um aumento do risco de AVC.

No grupo de participantes em que o controlo da alimentação foi mais rigoroso, cada um fazia uma ingestão diária média de 520 mg de colesterol, sendo que cerca de um quarto do colesterol total consumido provinha de ovos, aproximadamente um ovo (contém cerca de 200 mg de colesterol) por dia, o que significa que os resultados não podem ser generalizados além destes níveis. Além disso, a amostra considerada foi relativamente pequena e não teve em consideração o caso de pessoas com doenças cardiovasculares, atualmente desaconselhados a consumir ovos e gorduras saturadas.

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