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O futuro já chegou: há uma portuguesa em Londres a imprimir comida com insetos em 3D

Sociedade

Luísa Oliveira

Susana Soares é designer, mas uma interessada pela substituição da proteína animal convencional pela dos insetos. Tem um projeto em Londres, onde vive, para sensibilizar cada vez mais pessoas para essa realidade inevitável. Uma história curiosa que complementa a reportagem que sai esta semana na VISÃO sobre a urgência de pôr insetos no pratos de toda a gente

Assim que ouviu, em 2010, o alerta da FAO, organização das Nações Unidas para a alimentação e agricultura, referindo-se aos insetos como a proteína animal mais viável para os humanos, a designer Susana Soares começou a pensar nisso do ponto de vista artístico. Informou-se acerca dos países em que o consumo destes bichos é muito comum, como o Brasil, o México ou o Japão. Neste último caso, por exemplo, soube que cuidam das larvas do bicho da seda como se de caviar se tratasse. "Devo dizer que são, de facto, deliciosas." O efeito nojo não a atinge - os 14 anos em Londres talvez ajudem a essa abertura de espírito.

Para convencer outros a aderir a estes novos alimentos, Susana, 42 anos, criou o projeto Insects au Gratin, em 2011, a que mais tarde se juntaram mais uma dezena de pessoas, com profissões tão distintas como antropólogos ou engenheiros alimentares. Foi então que passou a imprimir insetos em 3D, mas nunca na sua forma original para que a estética não chocasse. Para essas impressões, baseava-se nas asas ou nos ovos, por exemplo, e com essas peças fazia exposições e organizava workshops.

Depois, passou a imprimir comida com insetos. Para isso, importa tenébrios, grilos e gafanhotos de Espanha, transforma-os em farinha, mistura-os com uma pasta e incorpora-os a outros alimentos, como pães ou barrinhas de cereais. Desta forma, aumenta o teor proteico destes produtos. "Gostávamos de disponibilizar estas criações culinárias para pessoas em situações extremas, que recorrem a ajuda internacional", explica Susana, adiantando que já têm vários potenciais clientes. Também pretende apostar no fabrico de papas moles para pacientes com demência ou com dificuldades em engolir, que desta forma conseguiriam alimentar-se na proporção certa, recebendo doses superiores de proteína. Com a impressão destes alimentos, garante, "diminui-se o desperdício, ao eliminar-se as embalagens e ao servir-se a dose certa com todos os nutrientes necessários." Que a lei europeia venha libertar estas ideias rapidamente. Espera-se que tal aconteça até ao final deste ano.

LEIA MAIS SOBRE A INTRODUÇÃO DE INSETOS NA NOSSA ALIMENTAÇÃO, QUE ESTÁ PARA BREVE, NA VISÃO DESTA SEMANA

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