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Argumentistas de A Guerra dos Tronos explicam decisões controversas do penúltimo episódio da série

Sociedade

No mais recente "Inside the Episode", David Benioff e D. B. Weiss, os principais produtores , justificam algumas das partes mais polémicas do controverso episódio. Já sabe, se ainda não viu, fique por aqui

Hugo Geada

No final de cada episódio da oitava temporada de Game of Thrones (GoT), os seus argumentistas, David Benioff e D. B. Weiss, lançam um Inside the Episode”, um vídeo em que oferecem aos fãs uma visão dos bastidores da série e uma explicação para algumas das decisões tomadas no episódio.

O quinto (e penúltimo) episódio da série foi recebido com bastantes críticas e indignação por fãs e críticos igualmente e estas são as explicações dos criadores da série:

A loucura de Daenerys:

Apesar de ter sido fortemente pressagiado ao longo da série que a personagem interpretada por Emilia Clarke poderia sucumbir ao passado tirânico da sua família, quando o seu fado finalmente foi cumprido muitos dos fãs não queriam acreditar no que estavam a ver.

“Mesmo quando regressamos à primeira temporada, quando o Khal Drogo dá a ‘coroa de ouro’ ao Viserys é assustador ver a resposta que [Daenerys] tem à morte dos seus inimigos."

Os guionistas da série começaram por explicar que a personagem estava a passar por momentos especialmente complicados a nível emocional, depois da morte de dois dos seus amigos mais próximos, a escrava libertada Missadei (Nathalie Emmanuel), e o fiel Sor Jorah Mormont (Iain Glen), e dos seus dois dragões/filhos, Rhaegal e Viserion.

“Se olharmos para as pessoas que foram mais próximas e que estiveram mais tempo com a Dany, a maior parte delas ou se virou contra ela ou já morreu e agora encontra-se praticamente sozinha”, explicou Benioff.

“É muito perigoso alguém com tanto poder sentir-se isolado. No momento em que ela mais necessita de aconselhamento de relações próximas, a maior parte dessas amizades desapareceu.”

A dupla de guionistas também relembra o complexo e delicado momento em que Jon Snow (Kit Harington) e Daenerys viviam.

“Ela apaixonou-se pelo Jon Snow”, notou. “Contudo, neste ponto, ela considera que o Jon a traiu ao revelar a sua verdadeira identidade e por não conseguir retribuir o seu afeto. Acho que era isso que ela queria dizer quando disse ‘Que seja o medo’, cedendo ao facto de que talvez tenha de fazer as coisas de uma maneira pouco agradável e recorrendo à violência.”

No entanto, segundo D. B. Weiss, Daenerys apenas tomou esta decisão quando ouviu os sinos que assinalavam a rendição do exército de Cersei e quando se viu em frente Fortaleza Vermelha, o castelo que tinha sido erguido pela sua família. “Eu acho que não foi premeditado. Foi apenas quando ela se deparou com o Red Keep, que, para ela, representa a casa que a sua família construiu quando chegaram a este país pela primeira vez há 300 anos (…) e tudo o que lhe foi retirado, que ela decide tomar a decisão de tornar o problema pessoal.”

Se Cersei (Lena Headey) não a tivesse traído nem executado Missandei, se Jon não lhe tivesse contado a verdade – se todas estas coisas tivessem acontecido de uma maneira diferente então, acho, que não tínhamos visto este lado da Daenerys Targaryen", explicou Benioff

Dilema moral de Jon Snow:

Durante a batalha, é possível observar que Jon Snow bastante cético em relação a toda a violência a desenrolar à sua frente.

“Apesar de toda a sua vida ter treinado para ser soldado, Jon não gosta de guerras.”

Os criadores confirmaram que o personagem estava completamente em desacordo com o a decisão de Daenerys.

Perante as questionáveis decisões morais dos soldados, este tentou com que o seu exército recuasse e ajudou as vítimas inocentes, impedindo uma mulher de ser violada por um dos seus homens.

Traição de Tyrion e uma despedida emocional:

A primeira morte do episódio foi de Varys (Conleth Hill), a “Aranha”, depois de Tyrion (Peter Dinklage) ter revelado à sua rainha que tinha contado o segredo sobre as origens familiares de Jon Snow ao mestre dos segredos.

Antes de Daenerys mandar o seu dragão executar Varys, Tyrion despede-se de uma forma emocional, sendo que os guionistas da série revelaram que é nesse momento que o Lannister se apercebe que o eunuco era o seu único amigo, além do seu irmão.

Arya cancela a sua vendetta:

Apesar de ser das pessoas que se encontrava há mais tempo na lista de pessoas a abater de Arya (Maisie Williams), quando esta invade o castelo com Sandor Clegane, o Cão de Caça, e se encontra a umas escadarias de cumprir o seu objetivo, depois de uma quente e emocional discussão entre ambos, a mais nova da família Stark decide quebrar o seu círculo de vingança.

“Achas que queres vingança há muito tempo?”, disse Clegane enquanto os primeiros destroços do castelo começavam a cair. “Eu ando à procura dela toda a minha vida. Foi tudo aquilo que sempre quis. E olha para mim. Queres ser como eu?”

“É uma cena pequena, mas para nós é o culminar de toda uma história entre estes dois”, explicou Benioff.

Luta entre Cão de Caça e Montanha:

“Desde o início que sabíamos que eles iam morrer juntos”, explicou D. B. Weiss. Aquele que foi o culminar da história dos irmãos Clegane aconteceu perante um cenário que os realizadores da série descrevem como uma “beleza apocalíptica”.

“A morte do Cão de Caça tinha que ser pelo fogo”, explicaram, a ligação entre as duas personagens ficou marcada, quando na infância, o Montanha colocou a cara do seu irmão, Sandor, dentro de uma lareira por ter, supostamente roubado um brinquedo.

O Cão de Caça acabou por empurrar o seu irmão da escadaria onde ambos estavam a lutar e ambos caíram nas chamas, encerrando esta história de vingança.

Weiss explicou que a morte destas personagens foi motivada puramente pelo “ódio que se superiorizou à fobia que Sandor tinha ao fogo.”

Segundo o site The Ringer, esta batalha fez várias referências a vários momentos da série, desde a forma como o Montanha tentou esmagar o crânio do seu irmão mais novo, throwback para a batalha deste com Oberyn Martell, até à forma como o Cão de Caça o atirou pelo ar, citando uma conversa que o personagem tinha tido com Bronn que aconselhou que a melhor forma de matar o vilão era “de alguma forma, tirar os seus pés do chão.”

Cersei e Jamie, até que a morte os separe:

Outro momento que já tinha sido fortemente pressagiado nas temporadas passadas. “Jaime já tinha falado sobre morrer nos braços da mulher que amava”, relembrou Benioff da confissão que o Lannister tinha feito a Bronn.

“Eu acho que o Jaime sabia que eles devem ficar juntos. Eles vieram juntos ao mundo e devem partir juntos”, resumiu Weiss. “No final do quinto episódio, Jaime aceita quem é na realidade, ele pode não gostar de quem é, mas ele sabe o que é importante e para ele a Cersei é que é importante.”

Realização da destruição da cidade:

A realização do episódio esteve a cargo de Miguel Sapochnik, que tem sido louvado pelo magnífico trabalho técnico. Quem nos guia pelos destroços é Arya Stark, que segundo os argumentistas tem a “mais longa e complicada jornada” do episódio, sendo que esta se encontrava no centro da cidade, o epicentro do conflito, quando a sua destruição começou.

Os showrunners da série explicaram que Arya foi a personagem escolhida para este papel, uma vez que é alguém com quem o público tem bastante empatia e com quem é fácil criar uma ligação emocional.

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