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É preciso 'partir' o Facebook, diz um dos fundadores da rede social

Sociedade

Chris Hughes sublinha que o Facebook se tornou demasiado grande e poderoso - e que a solução é dividi-lo. Uma das opções passaria por deixar de controlar o Whatsapp e o Instagram, de forma a perder o monopólio das redes

“A influência do Mark é impressionante, muito além da de qualquer outra pessoa no setor privado ou no governo. Ele controla as três plataformas principais - Facebook, Instagram e WhatsApp - que milhares de milhões de pessoas usam todos os dias.”

Chris Hughes, um dos cofundadores do Facebook, ilustra assim o poder quase absoluto que o seu velho amigo Mark Zuckerberg tem no mundo das redes sociais para argumentar que é altura de acabar com a hegemonia da empresa. Hughes admitiu mesmo, num artigo de opinião publicado pelo New York Times, estar assustado com o excesso de poder na mãos de Zuckerberg.

Apesar de não trabalhar na empresa há mais de uma década, Hughes não descarta, no entanto, a sua própria responsabilidade. “Estou desapontado comigo mesmo, e com a equipa inicial do Facebook, por não termos pensado mais sobre como o algoritmo do ‘feed’ de notícias poderia mudar a nossa cultura, influenciar eleições e conferir poder a líderes nacionalistas”, admite.

Para o empresário (que entre 2012 e 2016 foi diretor da revista de política The New Republic), está na altura de "fragmentar o Facebook", pois este transformou-se num "monopólio" que "controla o mercado e garante que os usuários não podem protestar mudando-se para plataformas alternativas”, e é por isso que, mesmo depois dos escândalos relacionados com a falhas na proteção dos dados dos utilizadores, nós "repetimos o padrão exaustivo de sempre: primeiro o ultraje, depois a deceção e, finalmente, a resignação".

Um estudo do Pew Research Center comprova esta teoria. Os dados recolhidos pelo instituto mostram que um quarto dos utilizadores que aderiram ao movimento "Delete Facebook", após a notícia de que a Cambridge Analytica estava a utilizar os dados dos inscritos na plataforma, voltaram mais tarde a instalar a rede social no telemóvel.

Mas, diz Hughes, "fragmentar o Facebook não é suficiente". "Precisamos de uma nova agência, mandatada pelo Congresso, para regular as empresas de tecnologia. O seu primeiro objetivo deverá ser proteger a privacidade."

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