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Madonna: "os smartphones acabaram com a minha relação com os meus filhos"

Sociedade

Jeff Kravitz/ Getty Images

Madonna partilhou durante uma entrevista à revista inglesa Vogue que ainda não deu um telemóvel ao seu filho mais novo por medo de perder a sua relação com ele e das possíveis consequências das redes sociais para a formação da sua personalidade, depois do "mau resultado" da introdução das redes sociais na vida dos seus outros filhos

David, com 13 anos, jogador na academia de futebol do Benfica, e o mais novo de 6 irmãos, não teve direito a um telemóvel. Para a cantora, dar telemóveis tão cedo aos seus filhos mais velhos foi um grande erro porque se tornou numa “grande parte da vida deles”.

“[Os telemóveis] acabaram mesmo com a minha relação com os meus filhos. Eles são inundados com imagens e começam a comparar-se com outras pessoas, e isso é muito mau para o seu autocrescimento” afirma.

Apesar de estar prestes a lançar o seu novo álbum, Madame X, garante que a sua principal ocupação é ser mãe a tempo inteiro e admite que por vezes se sente sozinha em Lisboa. Por essa razão, vai tentar manter as redes sociais longe do seu filho mais novo, "o mais parecido" consigo e de quem é mais próxima, durante “o máximo tempo possível”.

“Aquilo que ele tem mais é foco e determinação. Tenho a certeza que ele herdou isso de mim. Ele é aquele com que eu tenho mais em comum. Eu sinto que ele realmente me entende. Ele tem mais do meu ADN do que qualquer outro dos meus filhos”, acredita.

A decisão de manter o mais novo longe dos telemóveis deve-se principalmente às mudanças na personalidade dos seus outros filhos depois de aderirem às redes sociais. Para a mãe, Lola, a mais velha, apesar de ser “incrivelmente talentosa” não tira tanto proveito das suas capacidades devido aos efeitos das redes sociais.

“Fico cheia de inveja porque ela é incrível em tudo o que ela faz, ela é uma bailarina incrível, uma atriz muito boa, toca piano lindamente, ela é muito mais talentosa do que eu. Mas ela não tem a mesma determinação, e eu sinto que as redes sociais lhe causam sofrimento e levam-na a sentir algo como: "as pessoas vão-me dar coisas porque eu sou filha da Madonna."

“Eu tento dar-lhe exemplos de filhos de outras celebridades, como Zoë Kravitz, que têm de trabalhar para ultrapassar o 'Ah sim, tu és a filha do...' e que depois eventualmente são levados a sério por aquilo que fazem. Só é preciso continuar a trabalhar. Mas ela não tem a mesma determinação que eu. Ela também cresceu com uma mãe e eu não. Ela cresceu com dinheiro e eu não. Por isso, para ela vai ser tudo diferente. O que posso eu fazer? Não posso ficar obcecada com isto, só tenho de dar o meu melhor”. Concluindo: “Vamos ver o que acontece, ainda é muito cedo para todos eles”.

Para além dos desafios da maternidade, a cantora falou ainda da dificuldade de trabalhar numa indústria que a considera “demasiado velha” e de encontrar um modelo que a inspire, pois “ninguém faz o que eu faço”.

“Eu consigo olhar para mulheres que considero fantásticas, defensoras da liberdade como Simone de Beauvoir ou Angela Davis, mas elas não tinham filhos. Eu sou mãe solteira de 6 filhos e continuo a ser criativa, a ser uma artista e a ser politicamente ativa, ainda tenho uma voz, e faço todas estas coisas. Por isso eu acho que não há mais ninguém na minha posição”, concluiu.

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