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Global Teacher Prize Portugal 2019: o melhor professor do País é Rui Correia

Sociedade

Rui Correira, professor das Caldas da Rainha, é o vencedor do 2ª Global Teacher Prize Portugal

Luís Barra

A segunda edição nacional do chamado Nobel da Educação distinguiu um professor nas Caldas da Rainha, que se serve de todos os métodos possíveis para conseguir a atenção dos seus alunos

“Dedico este prémio a todos os meus alunos e agradeço a quem oferece, que é, como se vê, gente que sabe estar”. A voz, trémula, deste professor agradecido pertence ao vencedor da edição nacional do Global Teacher Prize (GTPP), cujo vencedor foi revelado esta segunda-feira, 6, numa cerimónia que decorreu no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, apresentada pelo humorista Ricardo Araújo Pereira – e isso explica os vários trocadilhos que acompanharam o momento, como “tem aqui este cheque, mas como sabe só lhe pode mexer daqui a 9 anos, 4 meses e 2 dias”, numa alusão clara à grande reivindicação da classe, e que esteve na origem da mais recente crise política.

Rui Correia, o professor da Escola Básica de Santo Onofre/Agrupamento de escolas de Raul Proença, nas Caldas da Rainha, agora distinguido pelo GTPP, foi claro, pouco depois, ao avisar ao que vinha.

“Aqui estão alguns dos melhores professores que há pelo país, este prémio impõe-me agora uma responsabilidade ainda maior”, prosseguiu, ele que foi distinguido por, recorrendo a instrumentos simples, otimizar os ciclos de atenção dos alunos.

Exemplos? Páginas amarelas onde os alunos fazem resumo do que é dado a cada15 minutos, copos semáforo que dão o feedback dos alunos sobre a matéria em tempo real e ainda o uso de um blog onde são publicados os melhores resumos como prémio.

Foi o escolhido pelo júri nacional que este ano tem como presidente honorário o professor Álvaro Laborinho Lúcio e que conta ainda com Afonso Mendonça Reis, o principal promotor da iniciativa em Portugal e elemento do júri do prémio internacional; Pedro Carneiro, em representação da comunidade científica; Sara Rodi, em representação dos pais; João Brites, em representação dos alunos e Eduardo de Sá, professor universitário e psicólogo.

O vencedor recebe agora um prémio de 30 mil euros e fica automaticamente nomeado para a edição internacional do Global Teacher Prize, que se realiza desde 2015, conduzida pela Fundação Varkey, dedicada à melhoria da educação em contextos socialmente desfavorecidos. O grande vencedor do galardão que se tornou conhecido como Nobel da Educação receberá um milhão de dólares (893 mil euros).

No ano passado, o prémio foi atribuído a Jorge Teixeira, Professor de Física e Química, do 3.º ciclo ao ensino secundário, no Agrupamento de Escolas Dr. Júlio Martins, em Chaves, por ter criado, há mais de dez anos, um Clube do Ensino Experimental de Ciências na escola – algo que ele considera ser uma espécie de fábrica de alunos empreendedores e o sítio ideal para testar todas as estratégias de motivação.

Os outros finalistas

Ana Mafalda Gonçalves, professora na Escola Básica e Secundária da Cidadela, de Cascais.

Criação do Gabinete GuIA, que pode ser considerado um gabinete de coaching aos alunos, e que resulta do facto de cada vez mais existirem alunos que, ou não conseguem entrar na universidade ou não entram na sua primeira opção. Os atendimentos no gabinete permitem que os alunos façam escolhas mais conscientes e adaptadas às suas características e leva-os a conseguirem estabelecer objetivos realistas, mas desafiadores, trabalhando de forma consistente para melhorar os seus resultados escolares.

Angelizabel Sousa de Freitas, professora na Escola Básica e Secundária Padre Manuel Álvares, Ribeira Brava, Madeira

Através do projeto ECG – Educação para a Cidadania Global, apresenta duas metodologias distintas de ensino/aprendizagem, através do cinema e da moda. Dois temas que vão ao encontro dos interesses dos alunos. A aprendizagem e o progresso resultante das abordagens pedagógicas são verificáveis através dos próprios trabalhos que os alunos realizam, dos vídeos sobre as experiências que vivenciam (graças ao sucesso desses trabalhos), e, sobretudo, através dos prémios e reconhecimentos que têm recebido. Receber um prémio significa que os alunos foram capazes de aprender e progredir positivamente, destacando-se de outros colegas, e muitas vezes oferecem-lhes ambientes de aprendizagem excelentes que os testes ou exames não lhes conseguem proporcionar.

David Duarte Ferreira, professor no Agrupamento de Escola Alcaides de Faria, Barcelos

Desenvolvimento de um sistema integrado de atividades de gamification continuadas denominados "A aula integral“. Passa pela utilização de ferramentas disponíveis na Internet como o "Google Classroom", o "Quizizz" ou o “Kahoot!", e que criam condições para que os alunos possam reforçar aprendizagens e verificar conhecimentos. “A aula integral” é um conjunto alargado de atividades, testadas já em sede de plano anual de atividades do seu agrupamento de escolas, e tem ferramentas pedagógicas replicáveis, testáveis e que possam ser aplicadas a todos os alunos. “A aula integral” vem no seguimento da utilização de muitos anos de plataformas interativas, como a MOODLE, e experiência com clubes de ciência e de robótica.

Fernanda Alves, professora no Externato das Escravas do Sagrado Coração de Jesus, do Porto

O Projeto do Teatro Musical - onde escreve todos os guiões - realiza anualmente um verdadeiro musical com mais de 200 crianças. Todos os anos, é escrito um argumento e letras originais, em linha com o lema anual do colégio ou do projeto de trabalho, contribuindo assim para a consolidação de conhecimentos. As letras das canções dos musicais possuem ainda conteúdos do programa ou do projeto de trabalho da escola, contribuindo para a consolidação de conhecimentos. As crianças aumentam a sua autoestima, desenvolvem a capacidade de se expressar, tanto oralmente, como corporalmente, superam medos e experimentam momentos de verdadeira felicidade. As apresentações em palco não se fazem turma a turma, são uma série de números com elementos de todas as turmas, resultado da escolha de cada criança. O aluno tem a possibilidade de dançar ou de representar o papel com que mais se identifica.

Ilda Azevedo Lima, professora na Escola Básica D. Pedro IV, Mindelo, Vila do Conde

Criação do Clube “Dar e Receber”. A proposta inicial tinha como principal finalidade desenvolver o voluntariado em contexto escolar. Assim, o objetivo era que cada elemento da comunidade escolar (aluno, docente ou assistente operacional) dispusesse de 45 minutos do seu tempo livre, por semana, para melhorar a escola, voluntariamente. Rapidamente este projeto cresceu e foi-se alargando o seu âmbito de atuação às famílias e outros grupos sociais – desde 2010, o projeto conta já com vários parceiros e desenvolveu inúmeras campanhas de apoio. As atividades do Clube são desenvolvidas dentro do estabelecimento de ensino e com esta nova estrutura melhorou-se significativamente o problema da indisciplina e do comportamento dos alunos e, por extensão, dá um forte contributo indireto para melhorar o aproveitamento escolar e a qualidade do seu sucesso devido á ligação com o contexto escolar.

José da Rocha Galvão, professor no Agrupamento de Escolas do Vale da Amoreira, Moita

Através de um Canal de Educação Musical, disponibiliza livro/manual da disciplina interativo. Com quase 8 milhões de visualizações, 25 mil subscritores (mais de 2.000 são professores de Educação Musical do mundo inteiro) . O Canal foi pensado para servir de ferramenta de apoio ao ensino/aprendizagem da música no seu todo e não apenas para servir de apoio ao ensino/aprendizagem de um instrumento musical específico. O facto de os recursos serem on-line e de estes darem aos alunos a possibilidade de estudarem de forma quase autónoma e ao ritmo individual de cada aluno permite avanços no desenvolvimento da prática vocal e instrumental muito significativos.

Luísa da Silva Fernandes, professora no Agrupamento de Escolas de Carcavelos

Como coordenadora do Projeto de Educação para a Saúde (PES) do Agrupamento de Carcavelos, criou um grupo de alunos voluntários para o desenvolvimento de iniciativas na Promoção da Saúde, atingindo vários níveis de ensino nas várias escolas do agrupamento. Esta estratégia tem efeito evidente na criação de um clima positivo na escola e no fortalecimento do sentimento de pertença dos alunos à escola. Fomenta ações de formação interpares alunos-alunos, por exemplo: alunos voluntários do PES vão às salas de aula realizar a atividade “Um minuto de bem-estar”, em que colocam os colegas a relaxar e a aprenderem técnicas de respiração consciente e meditação guiada. Esta estratégia traz mais bem-estar, melhora os resultados escolares e dá “voz” ativa aos alunos. Aos professores: desafios em tempos de mudança numa intervenção denominada: Educação Positiva –Promoção do Bem-estar e da Resiliência nos professores, com 18 horas de duração. Decorreram no ano letivo 2017/18.

Maria Loureiro Rodrigues, professora no Agrupamento de Escolas N°1 de Gondomar

Aplicação da técnica de ensino Project BasedLearning, que é uma técnica moderna de ensino, que aposta em vivências práticas. A técnica, aplicada desde a educação infantil à universitária, também pode ser chamada de Problem Based Learning (Aprendizagem baseada na resolução de problemas). A metodologia passa por integrar o conhecimento que os alunos adquirem nas diferentes disciplinas com a prática de “aprender fazendo”. Os alunos aplicam os conteúdos lecionados na resolução de problemas reais e na execução de produtos que são, de facto, implementados em comunidades, com recurso a ferramentas digitais de suporte ao trabalho colaborativo. Desta forma, os alunos trabalham as competências essenciais para o século XXI, algumas das quais não podem ser trabalhadas a partir dos manuais, mas são desenvolvidas através de experiências pessoais (como a criatividade e a responsabilidade, a colaboração e a liderança…). Os seus resultados são, depois, implementados em comunidades em África ou em Portugal. Em cada intervenção no terreno recolhem-se filmagens da implementação, testemunhos das comunidades, e novos problemas para, em conjunto, se encontrarem novas soluções. É um modelo replicável em qualquer escola, tendo sido já implementadas quatro soluções na Guiné, desenvolvidas por turmas em escolas diferentes, que foram replicadas pelos habitantes locais, e uma em Moçambique.

Vítor Domingues Gonçalves, professor no Agrupamento de Escolas José Belchior Viegas, São Brás de Alportel

Utilização de metodologias inovadoras aliadas à rentabilização das TIC – Tecnologia de Informação e Comunicação, por exemplo, na criação de uma estação de prevenção de incêndios, criação de um dispositivo que permite transformar um corpo humano em dados binários e ajudar o processo de desenvolvimento de próteses, ou ainda com aplicação desses projetos nas bibliotecas. Para promover as bibliotecas escolares, utilizam "Transmedia Storytelling", através da qual os alunos criam artefactos tecnológicos que vão integrar narrativas a ser apresentadas à restante comunidade educativa, numa atividade imersiva. Assim, promovem a literacia da leitura, dos média, e da informação. Este projeto é de natureza vertical e conta com os alunos do ensino secundário, primeiro ciclo e encarregados de educação, que ajudam a contar histórias, a criar os cenários e integram o elenco das histórias.

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