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Quem é Mishlawi, o rapper norte-americano, português de Cascais

Sociedade

Quem é este músico de nome estranho que, dois anos depois de se ter apresentado – com o single All Night – , encheu o Coliseu de Lisboa? É já como estrela do hip-hop made in Portugal que Mishlawi acaba de lançar o primeiro álbum, Solitaire

Se dúvidas houvesse quanto ao estatuto de Tarik Mishlawi no atual panorama do hip-hop em Portugal, elas ficam dissipadas quando se percebe que, com apenas um álbum acabado de editar, esgotou duas datas no Hard Club, no Porto, e marcou um concerto no altivo Coliseu dos Recreios, uma sala que sempre serviu de teste definitivo ao triunfo dos músicos nacionais (“Para quando o coliseu?”, perguntava-se).

Os mais de 10 milhões de visualizações no YouTube, os discos de ouro por vendas online e, especialmente, os concertos nalguns dos maiores festivais do País, como o Sudoeste ou o Rock in Rio, onde as suas canções foram cantadas em uníssono por uma multidão de fãs, já deixavam antever algo assim para a carreira deste artista de 22 anos, nascido em Phoenix, Arizona, nos EUA, mas a residir em Cascais desde os dez. “Vim por causa do meu pai, que trabalha na indústria farmacêutica”, conta. “Vivi primeiro em Itália, durante dois anos, depois viemos para Portugal e acabei por ficar aqui”, recorda à VISÃO, reconhecendo que esse facto acabou por influenciá-lo musicalmente. “Sempre toquei vários instrumentos, e a música sempre fez parte da minha vida, mas só quando comecei a criar o meu próprio material, por volta dos 15 anos, é que ela assumiu outra importância. Na altura, já era influenciado pela cultura hip-hop, mas fazia apenas rap, nem sequer cantava.” Algo muito diferente, portanto, do R&B e do trap soul que haveriam de torná-lo conhecido em Portugal e além-fronteiras, em países como Inglaterra ou a Rússia, onde se desloca regularmente para atuar e se apresenta sempre como “luso-americano”. Afinal, “as pessoas querem é saber da música e não tanto do lugar de onde venho, apesar de quase todas saberem que vivo em Portugal; eu faço questão de dizê-lo em todas as minhas redes sociais”, diz.

Agora, com o novo álbum Solitaire, que conta com as colaborações de gente como o sul-africano Nasty C ou o norte-americano Trace Nova, espera conseguir atravessar novamente o Atlântico, mas em sentido contrário à viagem da sua infância. O mais difícil já está feito, através de um contrato de distribuição com a lendária Island Records, editora responsável pelo catálogo de artistas como Drake, Ariana Grande ou Kid Cudi, que lhe garante a presença do disco nos competitivos mercados do Reino Unido e dos EUA. “Esse é o meu grande objetivo, mas temos de entrar pouco a pouco. Tudo o que conseguirmos já é uma vitória, mas neste momento quero é estar focado na música e não tanto nos sítios onde ela me pode levar.”

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