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Bebé que passou cinco meses sem visitas no hospital adotada por enfermeira

Sociedade

D.R.

Nasceu prematura, em julho de 2016, com síndrome de abstinência, porque a mãe usou heroína, cocaína e metadona durante a gravidez. Ficou ao cuidado do estado do Massachusetts desde os três meses, internada num hospital pediátrico. Durante os cinco meses seguintes, não teve uma única visita

"Quem é este anjo lindo?" Liz Smith, a responsável pela equipa de enfermagem do Franciscan Children’s Hospital, em Brighton, nunca tinha visto aquela bebé pequenina de olhos azuis, mas Gisele, então com oito meses, já vivia ali, à guarda do estado americano do Massachusetts, fazia cinco meses.

A menina tinha nascido prematura, noutro hospital, em julho de 2016, com menos de um quilo e a sofrer de síndrome de abstinência neonatal, provocada pela toxicodendência da mãe. Com três meses, foi transferida para aquela unidade porque os seus pulmões subdesenvolvidos precisavam de cuidados especializados e estava a ser alimentada por sonda. Desde esse momento, contou a enfermeira de serviço a Liz Smith, não teve uma única visita.

O nome da bebé não lhe saiu da cabeça durante todo o caminho de regresso a casa. "Vou acolher esta bebé. Vou ser sua mãe", recorda ter pensado nesse final de tarde, citada pelo The Washington Post, que conta a história de como as vidas de Gisele e Liz, agora com 45 anos, se cruzaram naquele dia.

Do lado da bebé, falta só acrescentar que os assistentes sociais do hospital tentavam encontrar-lhe um lar de acolhimento quando Liz a viu pela primeira vez; Do lado da responsável pelo serviço de enfermagem, é preciso dizer que vivia, naquele momento, o sofrimento de ter 13 sobrinhos e a hipótese de constituir, por sua vez, uma família, cada vez mais distante: tinha pensado optar pela fertilização in vitro, mas acabara por perceber que o seu seguro não cobria o tratamento. Havia a hipótese da adoção ou do acolhimento temporário, como lhe lembrava a irmã, mas Liz não queria ir por aí. Até que viu a pequena Gisele.

Feito o pedido para acolher a bebé, Liz visitava diariamente a menina que ainda lutava com atrasos no seu desenvolvimento. Três semanas mais tarde, em abril de 2017, tinha Gisele 9 meses, as duas receberam autorização para irem para casa, com a ressalva de que se seriam levados a cabo todos os esforços para reunir a bebé com os seus pais biológicos. No entanto, depois de alguns tempos de visitas semanais, o estado determinou que aqueles não podiam tomar conta da filha e, na impossibilidade de encontrar outros familiares, Liz recebeu a notícia de que podia candidatar-se a adotar Gisele. Em outubro do ano passado, numa sala de um tribunal do Massachusetts, tornava-se oficial: Liz era mãe de Gisele.

Aos seus cuidados, a menina atingiu marcos de desenvolvimento uns atrás dos outros: aos 15 meses já andava e dizia várias palavras. Agora com dois anos, ainda precisa de um suplemento alimentar por sonda, mas já pesa mais de 10 quilos e adora cantar. "You Are My Sunshine" ("és o meu raio de sol") é o seu tema preferido do momento, conta a mãe ao mesmo jornal. "Nem fazes ideia", pensa Liz.