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NASA capta primeira prova de que asteroide conhecido há muito está a desintegrar-se

Sociedade

NASA, ESA, K. Meech and J. Kleyna (University of Hawaii), e O. Hainaut (European Southern Observatory)

O Hubble apanhou um asteroide a girar tão rapidamente que acaba por expelir poeira e detritos. À vista, parecem duas caudas de cometa, mas trata-se de um fenómeno que, estimam os cientistas, só ocorre uma vez por ano

Descoberto em 1988, o asteroide Gault, com quatro metros de largura, tem sido observado repetidamente, mas esta é a primeira prova de que está a desintegrar-se. O "pequeno" asteroide está localizado a cerca de 345 milhões de quilómetros do Sol e oferece, assim, aos astrónomos, uma oportunidade para estudar estas rochas espaciais sem ter de, para isso, enviar uma nave.

A NASA estima que no chamado cinturão de asteroides, entre Marte e Júpiter (onde existem cerca de 800 mil), este tipo de evento aconteça apenas uma vez por ano.

Mais raro ainda é conseguir, como no caso do Gault, ligar a desintegração a um processo conhecido como o efeito YORP (Yarkovsky–O'Keefe–Radzievskii–Paddac, os nomes dos quatro cientistas na origem do conceito), que ocorre quando o calor do Sol aquece um asteroide, criando um momento de força que o leva a rodopiar cada vez mais depressa.

O Gault, neste caso, já estaria nesse processo de rotação acelerada há mais de 100 milhões de anos.

A agência espacial americana explica que quando a força centrífuga que daí resulta começa a superar a gravidade, a superfície do asteroide torna-se instável e há uma espécie de derrocada que pode emitir para o espaço, a alguns quilómetros por hora, poeira e detritos.

A primeira pista sobre o que podia estar a acontecer foi observada a 5 de janeiro deste ano, pelo telescópio ATLAS, no Havai, que "viu" o primeiro feixe semelhante à cauda de um cometa a sair do asteroide. A mesma cauda, perceberam depois os astrónomos envolvidos na investigação, aparecia em dados recolhidos anteriomente por outros telescópios internacionais.

Os dois feixes visíveis na imagem corresponderão a dois eventos - um datado de outubro de 2018 e outro de dezembro do mesmo ano.

Análises posteriores permitiram aos investigadores perceber que o asteroide estava a rodar próximo da velocidade crítica a que começa a desintegrar-se e excluir, por outro lado, a hipótese de se ter tratado de uma colisão com outro asteroide.

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