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Vêm aí os telefones dobráveis (mas não são para todas as carteiras)

Sociedade

Os telemóveis que se transformam num tablet são a grande atração tecnológica do momento e estão a chegar a Portugal – embora os preços continuem proibitivos

Imagine uma área equivalente a 24 campos de futebol cheia (a abarrotar, diga-se) da melhor tecnologia que se produz no mundo. Esse é o cenário que encontram os mais de 100 mil visitantes que esta semana rumam a Barcelona para mais uma edição do Mobile World Congress (MWC) – a maior feira de telecomunicações na Europa e uma das maiores montras mundiais de tecnologia. Espalhadas por oito pavilhões, mais de 2 400 empresas aproveitam esta gigantesca caixa de amplificação para demonstrar o que fazem e, claro, fechar negócios. Muitos.

Apesar de o mercado mundial de terminais continuar a crescer em valor – subiu 5%, atingindo os 522 mil milhões de dólares em 2018, segundo a consultora GfK – o volume de vendas decresceu em 3% (pelo quinto trimestre consecutivo). O mundo está a comprar menos telefones, uma realidade que coloca grande pressão em muitos dos fabricantes que têm gamas médias e de entrada, onde é preciso vender muito para compensar as margens mais baixas. Não se pense, porém, que os fabricantes que apostam em topos de gama estão imunes a esta contração nas vendas. Não estão e já têm uma arma para contrariar a curva que, teimosamente, se mantém em sentido descendente: telefones com ecrã dobrável! Ou seja, um smartphone que se transforma num tablet. A sério…

Galaxy Fold

Ecrã fechado 4,6”

Ecrã aberto 7,3

Número de câmaras 6

Chega a Portugal perto do verão

Preço Custa mais de 2.000 euros (preço final não revelado)

O primeiro
O maior fabricante mundial de smartphones tinha por tradição fazer um grande evento de antecipação ao MWC. Um dia antes de a feira abrir portas, a Samsung revelava os seus novos topos de gama. Este ano, o fabricante escolheu o mercado norte-americano (onde continua a contar espingardas num eterno combate com a Apple) para revelar os Galaxy S10. São novidades muito importantes para a Samsung – marcam uma década da marca Galaxy; surgem, pela primeira vez, em três modelos; e vêm para contrariar um ano para esquecer, no qual o fabricante foi surpreendido com vendas dos seus topos de gama abaixo do esperado.

No entanto, em São Francisco, nos EUA, a imprensa mundial ficou mais entusiasmada com o Galaxy Fold – o telefone dobrável que a Samsung já tinha mostrado algumas semanas antes, mas que, agora, vem com preço de venda ao público e data de lançamento. A Portugal, o telefone chega perto do verão e vai custar mais de 2 000 euros. O Galaxy Fold tem um sistema de abertura que funciona quase como uma mola que, quando aberta, junta os dois ecrãs disponíveis no terminal. Nesse momento, ficamos com um ecrã de mais de 7,3 polegadas – ou seja, transformamos um telefone… num tablet. Claro que não importa ter um ecrã grande se as aplicações e o sistema não tirarem partido dessa capacidade. A Samsung trabalhou essa componente e é possível utilizar até, por exemplo, três aplicações em simultâneo distribuídas por todo o ecrã.

Infelizmente, nem em São Francisco nem em Barcelona a Samsung deixou os jornalistas manipularem o dispositivo que, por trás de uma redoma, aparenta bom design e qualidade de construção. O preço é proibitivo à maioria das carteiras, é certo, mas os apaixonados dos gadgets vão acotovelar-se para marcar lugar na fila para os poucos exemplares que vão chegar ao mercado. Sim, este equipamento não vai ser de produção massiva.

Mate X

Ecrã fechado 6,6”

Ecrã aberto 8”

Número de câmaras 3

Chega à Europa a “meio do ano”

Preço 2 299 euros

O “X” marca o lugar do tesouro
A Huawei, número dois no mercado mundial de smartphones, guardou para o Mobile World Congress a apresentação do seu telefone dobrável. O Mate X abre ao contrário do Galaxy Fold, da rival Samsung, e, quando os ecrãs se juntam, ficamos com uma área de oito polegadas de elevada resolução. Foi possível mexer neste dispositivo e comprovámos que o sistema de abertura (a Huawei diz que anda a desenvolvê-lo há três anos) aparenta bastante resistência.

Os poucos minutos em que pudemos segurar o telefone não deram para tirar grandes conclusões, mas é preciso destacar que também o fabricante chinês se preocupou em trabalhar a experiência de utilização e, por isso, é possível ter várias apps ou páginas de internet abertas em simultâneo. Até aplicações de produtividade foram alteradas para tirar partido das oito polegadas deste telefone/tablet.

É importante destacar que o Mate X já vem preparado para a próxima geração de telecomunicações móveis (o tão badalado 5G) e que a Huawei integrou uma tecnologia de carregamento rápido que permite ter 85% da bateria carregada em apenas 30 minutos. Não se falou muito sobre as câmaras do Mate X, mas é certo que vão utilizar os componentes óticos da reconhecida Leica. O dispositivo já tem preço final, €2 299, e pode chegar a Portugal no primeiro semestre.

Além da Samsung e da Huawei, outros fabricantes aproveitaram a montra do MWC para mostrar que também têm capacidade para produzir ecrãs flexíveis e smartphones dobráveis. A chinesa Royole (o primeiro fabricante a apresentar um telefone dobrável que só está disponível no mercado chinês) trouxe a Barcelona ecrãs flexíveis que podem ter as mais variadas aplicações: desde fazerem parte da roupa até serem instalados nos tabliers dos carros. Curiosamente, este fabricante revelou um telefone dobrável que parece ter sido inspirado no Mate X, da Huawei.

E, afinal, o que podemos concluir desta movimentação da indústria para os telefones dobráveis? Que estamos no início de uma tecnologia que, como sempre nestas coisas, chega a preço elevado e com um ecossistema pouco maturo. Os mais entusiastas devem tentar refrear a sua ansiedade e esperar pelo próximo ano, que vai trazer uma oferta maior, preços mais civilizados e, acima de tudo, mais aplicações capazes de tirar partido destes telefones “transformáveis”. Fica o conselho.

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