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Galerias Romanas: viagem à Lisboa de há muito, muito tempo 

Sociedade

Teresa Campos e André Moreira

Descobertas no pós-terramoto, durante a reconstrução da capital, trata-se de uma obra de engenharia extraordinária e um monumento muito raro, no País e no mundo

André Moreira

André Moreira

Jornalista Multimédia

Um alçapão no meio da rua dos elétricos, na baixa pombalina, esconde um dos mais fantásticos segredos da capital: é por ali que se mergulha na Lisboa de há muito, muito tempo, quando os romanos ainda andavam por aqui – e o que encontramos, depois de descer a escadaria que se estende à nossa frente, é um conjunto de corredores ligados por arcadas de pedra. Além disso, em fundo, há sempre som de água a correr e isso explica-se porque, na maior parte do tempo, aqueles corredores estão inundados a meio metro de altura.

“Trata-se de um monumento romano do século I, construído para ter a mesma função que ainda tem hoje: ser uma plataforma horizontal aos edifícios que estão por cima”, explica Joana Sousa Monteiro, a diretora do Museu de Lisboa, entidade responsável pela sua conservação. “Além disso, tem normalmente um metro de altura de água doce, que vem dos lençóis freáticos que abastecem a cidade e que aqui passam para ir dar ao tejo”, acrescenta, apontando a marca de água que se vê nas paredes.

E essa é uma das razões para só se mostrar ao público duas vezes por ano: agora, para assinalar o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios; e em setembro, por altura das Jornadas Europeias do Património. “Para abrir é preciso bombear a água que cá está dentro cinco dias antes. Há bombeiros a limpar toda esta zona e só assim é também possível montar um sistema elétrico temporário, de forma a termos luz cá em baixo.”

Estamos no meio do corredor, com pequenas poças de água debaixo dos pés, a ouvir que nem os técnicos sabem que qual o impacto real daquela descida brutal da água - que ali está dentro pelo menos desde o pós-terramoto, mais concretamente 1771, ano em que foram descobertas na sequência do revolvimento de terras na zona - quando somos ainda mais surpreendidos: “Podemos dizer que é das melhores estruturas antissísmicas que há por perto”, anui aquela especialista, "afinal, está de pé até hoje..."

Mas não é só. “Sabemos também que esta construção romana tem conceitos técnicos de engenharia de enorme qualidade, mas continuamos sem saber qual a extensão total. Na verdade, encontramo-nos num troço relativamente pequeno de um monumento romano. O que visitável é um terço do que se conhece – e o que se conhece não é o todo”, acrescenta Lídia Fernandes, coordenadora do Museu e diretora do Teatro Romano. “É algo muito, muito raro, não só no nosso país como no mundo.”

Será então por um pouco de tudo isto que as visitas – anuais desde finais dos anos 1980 – esgotam com muita facilidade, embora nos últimos três anos os interessados tenham a vida um bocadinho mais facilitada pelo facto de se poderem inscrever numa plataforma eletrónica e fazer a sua marcação. Não para este fim de semana já não há vagas – esgotaram em poucas horas – mas fique atento que em setembro há mais.

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