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18 anos depois da tragédia de Entre-os-Rios, a população desespera por 13 quilómetros de alcatrão

Sociedade

A reivindicação é do concelho do lado - Penafiel - mas a anunciada "via sacra" do IC 35 diz respeito a uma promessa com 20 anos

Marcos Borga

A segunda ponte entretanto inaugurada na margem de Castelo de Paiva estendeu mais um lanço da anunciada via rápida que ia ligar a cidade vizinha de Penafiel a Sever do Vouga. Para trás ficava, novamente, a prometida alternativa à estrada local

Marcos Borga

Marcos Borga

Repórter Fotográfico

Há muito que aquele percurso se tornou um cemitério rodoviário. Foi por isso que, no início do mês passado, aquele trajeto de curvas e contracurvas que é a Estrada Nacional 106 amanheceu com dezenas de cruzes brancas na berma. Chamaram-lhe ‘a via sacra do IC35’ - e as razões para toda esta agitação são públicas. Estão à vista no enorme cartaz colado no início da estrada, onde a velha ponte de Entre-os-Rios colapsou. Sob um enorme fundo preto, sobressai uma gigante cruz branca e a seguinte contabilidade: “só nos últimos 12 anos esta estrada registou mais de 500 acidentes e fez mais de 700 vítimas.”

Prometidos há cerca de duas décadas, desde então quase se desespera por pouco mais de 13 quilómetros de alcatrão. Os outros números oficiais ajudam a explicar: ali passam perto de 13 mil veículos todos os dias, a maioria são pesados de mercadoria. Como confirmam os bombeiros de Entre-os-Rios, muitas vezes o trânsito atrasa o socorro.

A reivindicação ganhou força depois da queda da ponte, mas a estrada nunca saiu do papel. Em 2015 chegou a ser lançado o concurso do primeiro troço, que iria ligar Penafiel a Rans, mas a obra foi depois suspensa. Entretanto, mudou o governo, que voltava a adiar o resto da intervenção. Agora, a atual governação inscreveu o projeto no Plano Nacional de Investimento 2020/2030.

“Isto é uma chamada de atenção pacífica. Só queremos que os políticos olhem para este canto do país”, apregoava Joaquim Silva, antigo presidente da junta de freguesia de Rans e líder dessa “via sacra do IC 35”. Agora diz-se mais calmo porque lhe prometeram que as tão desejadas obras vão mesmo avançar. Será?

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