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Ter emprego não garante condições de vida dignas, conclui relatório preocupante

Sociedade

José Caria

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) considera que ter emprego não é garantia de ter condições de vida dignas, pois em 2018 a maioria dos 3.300 milhões de empregados no mundo não tinha bem estar material nem segurança económica

Segundo um relatório que a OIT apresenta esta quarta-feira em Genebra, esta situação decorre do facto de muitos trabalhadores terem de aceitar postos de trabalho que não correspondem ao padrão de trabalho digno, muitos deles precários, mal remunerados e sem proteção social ou direitos laborais.

A OIT refere ainda, como indício de má qualidade de muitos empregos, que em 2018 cerca de um quarto dos trabalhadores viviam em situação de pobreza extrema ou moderada.

No relatório, a OIT considera que "o progresso na redução do desemprego a nível mundial não se refletiu na melhoria da qualidade do emprego", o que torna irrealista a meta de trabalho digno para todas as pessoas, enquanto base do desenvolvimento sustentável.

O documento salienta ainda a falta de progresso quanto às diferenças entre mulheres e homens no acesso ao emprego.

A nível mundial, apenas 48% das mulheres fazem parte da população ativa em comparação com 75% dos homens.

As mulheres também estão em maioria na situação de subemprego.

Para a OIT, esta diferença percentual é alarmante e, por isso, defendeu a necessidade de medidas políticas para a reduzir.

Continua a ser uma preocupação para a OIT que um em cada cinco jovens com menos de 25 anos não trabalhe, não estude, nem esteja em formação, comprometendo as suas perspetivas futuras de emprego.

O relatório salienta, no entanto, alguns sinais positivos no mercado laboral, prevendo que o desemprego continue a diminuir em muitos países, se se evitar uma desaceleração significativa da economia.

Reconheceu também que se registou uma grande diminuição da pobreza no trabalho nos últimos 30 anos, especialmente em países de rendimento médio e um aumento no número de pessoas com formação escolar e/ou profissional.

Cem anos após a sua fundação, a OIT reafirma neste relatório, sobre as "Perspetivas Sociais e do Emprego no Mundo", a sua intenção de ajudar a solucionar os problemas detetados e de promover um debate fundamentado sobre as recomendações da Comissão Mundial sobre o Futuro do Trabalho.

com Lusa