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O menu para 2019? Vale tudo menos (para já) os insetos

Sociedade

Alimentos “vivos”, chás, produtos fermentados e combinações imprevistas. Vale tudo menos os insetos, que ainda ficam fora dos pratos em 2019

Clara Soares

Clara Soares

Jornalista

Descobrir a próxima tendência dos consumidores em matéria de hábitos alimentares é como tentar acertar na sorte grande. Contudo, a cada ano que passa há novidades que se convertem em hábitos gastronómicos. Nos vídeos que circulam na internet ou em anúncios nos média e nas lojas de produtos e suplementos alimentares, abundam sugestões e receitas prontas a testar: hambúrgueres e snacks vegetais com algas e cogumelos asiáticos, alimentos “vivos” (crus ou cozinhados até 42ºC) com espumas e essências balsâmicas, receitas que conjugam ingredientes improváveis e cativam, até, os menos curiosos e pouco dados a aventuras na cozinha. Se uma destas demonstrações partilhadas for feita pela mão de celebridades, melhor ainda.

Este ano, os “eleitos” são os alimentos não processados, as bebidas com menos teor alcoólico e refeições minimalistas. No prato destacam-se os crus, diversos e generosamente temperados com especiarias e raízes, à moda dos nossos antecessores. As dietas dogmáticas podem vir a perder força a favor de outras, mais compatíveis com o estilo de vida flexível e móvel. De volta parecem estar as receitas simples e funcionais, aquelas que sabem bem e as que fazem bem. Se for possível aliar o útil ao agradável, tanto melhor. Não sendo, há que fazer ajustes e encontrar um compromisso entre iguarias e doçarias que enchem os olhos e as medidas e as soluções criadas especificamente para repor energias e manter o corpo e a mente hidratados e em forma.

“Começa a haver um interesse crescente pelo consumo de sementes e de raízes, como gengibre, açafrão e curcuma, pelo seu potencial anti-inflamatório”, afirma Joana Carvalho Costa, pioneira em coaching nutricional, destacando a importância dos microalimentos nas preferências de quem a procura. Será só uma questão de moda: os frutos vermelhos ontem, o abacate hoje, as bactérias amigas da macrobiota amanhã? Talvez, mas há outros fatores a pesar nas escolhas do cidadão comum: “Aumentou a consciência de que não há pílulas milagrosas para criar saúde e bem-estar e há mais vontade de mudar hábitos, que implicam regularidade e não acontecem de um dia para o outro.” A tendência para trocar as gorduras animais por vegetais e não saturadas (iogurtes, por exemplo) continua a crescer. E os laticínios? Um caso de sucesso que continua a conquistar adeptos é o dos iogurtes com elevado valor proteico, usados por desportistas. O mesmo não se pode dizer de outros alimentos nutricionalmente ricos e amigos da sustentabilidade: os insetos, que na consciência de muitos, mundo fora, são petiscos interessantes, não passam de teoria por cá: “A proteína de inseto está ainda numa fase muito embrionária”, afirma o nutricionista Pedro Carvalho (autor de Os Mitos que Comemos e Comer, Crescer, Treinar), mas é a tendência que ganhará força em breve. A nutricionista vegan Fernanda Martins subscreve a ideia e admite que “a alimentação com insetos, sobretudo a farinha de barata, muito usada no Oriente, vai acabar por chegar cá”. Mas não será para o prato da especialista, procurada por quem quer um regime alimentar livre de carne – “nem sempre com motivações éticas, mas para se sentir melhor”. O lema para 2019 é experimentar e personalizar. A cada um a sua dieta, desde que tenha sabor, uma pitada de sal e especiarias.

Algumas tendências para 2019

Quatro preferências gastronómicas para estranhar e depois entranhar, à semelhança do que sucede com o vestuário, em que um par de ténis pode muito bem fazer conjunto com um vestido de noite

Verde é a cor do vigor

Aniko Hobel/ Getty Images

Microalgas como a chlorella, ricas em vitamina B12, proteína vegetal e antioxidantes. E spirulina, a cianobactéria com mais de 50 nutrientes e eleita pela OMS como “Alimento do Milénio”. A comida viva – crua ou cozinhada a temperaturas inferiores a 42 graus – vai marcar presença nos menus dos restaurantes vegetarianos e vegan e também nos gigantes de fastfood.

Quem mexeu no meu (chá de) queijo?

Sharon Lapkin/ Getty Images

O título do best-seller sobre sucesso do século XX, revisitado e adaptado, substituindo “queijo” por “chá de queijo”. Os americanos da costa leste renderam-seà trend originada em Taiwan: chá com leite, uma colher de sopa com queijo em creme e uma pitada de sal. Não tão saudável como o matcha, do Japão. Que queijo vamos ter nos nossos brunches: mascarpone, brie ou nacional?

Fermenta-me!

RyanJLane/ Getty Images

Depois da moda do kefir, chega a vez da kombucha, ou chá fermentado, bebida probiótica feita a partir de uma “bolacha” de scoby (cultura simbiótica de bactérias e leveduras). Refrescante, gasosa e com travo amargo, promete ser mais popular do que as sopas de miso (massa de cereais fermentados) e a chucrute (couve fermentada usada em pratos de enchidos e carnes).

Um revigorante por dia...

Luís Barra


As bebidas vegetais querem-se sem palhinha nem açúcar. Este também não é bem acolhido nos smoothies e batidos, que combinam alegremente aipo, hortelã, agrião, cenoura, lima e beterraba. Populares como antirressaca e nas épocas de exames. O charme do chá está de volta: branco, preto, vermelho, verde. E com especiarias: cardamomo, cravinho, pimenta rosa, lima...