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O caso do cão de Emiliano Sala, que ainda espera o dono, não é caso único

Sociedade

De tempos a tempos, a internet emociona-se com as histórias de fiéis amigos que esperam os donos, haja o que houver

O seu dono, o jogador argentino Emiliano Sala, está desaparecido desde 21 de janeiro, depois de o avião em que seguia ter desaparecido dos radares no Canal da Mancha, mas isso Nala não sabe.

Sem perder esperanças, a família do jogador conseguiu que se retomassem as buscas, e entretanto, assim a querer mostrar que a esperança é a última a morrer, a irmã, no sábado passado, não resistiu a partilhar a imagem no Facebook, acompanhada da legenda: "Nala também está à tua espera".

Dois dias depois, a Agência Britânica de Investigação a Acidentes Aéreos revelava que fora encontrado no fundo do canal da Mancha um corpo entre os destroços do avião em que viajava o futebolista.

A despedida de Sully

Há pouco mais de um mês, foi outro o cão que emocionou o mundo. Trata-se do fiel amigo de George H. Bush, ou "Bush pai" como ficou conhecido o ex-presidente dos EUA, que morreu em dezembro. As imagens do velório mostravam, em primeiro plano, o animal tristíssimo durante as cerimónias fúnebres.

Depois, na fotografia partilhada no Twitter, Jim McGrath, o porta-voz da família escreveu apenas “Missão cumprida #Remembering41”.

Sully, de seu nome, estava especialmente treinado para acompanhar o ex-presidente; até para lhe atender o telefone ou ir buscar objetos de que o presidente precisava. Agora deverá voltar ao serviço, em nome da associação de caridade America’s VetDogs, que presta apoio a veteranos de guerra.

Um Capitán muito especial

Capitán tinha uma rotina: todas as noites, durante 11 anos, ia dormir junto ao túmulo do dono em Villa Carlos Paz, na Argentina.

Foi em 2007 que o bicho descobriu o túmulo do dono, dez meses depois da sua morte. O fiel amigo de Miguel Guzmán, de tanto insistir na visita tornou-se figura querida pelos funcionarios do cemitério, que lhe davam alimentos e tratamento veterinário.

Até que, no início do ano passado, Capitán, que já andava com dificuldade, tinha perdido parcialmente a visão e sofria de insuficiência renal, acabou também por morrer, ali no mesmo cemitério. "Era onde se sentia tranquilo", justificaria o veterinário que o acompanhava.

Flash, o incansável

Twitter

Voltemos a agosto de 2016. Itália era fortemente abalada por um sismo e as imagens, impressionantes, mostravam a destruição na comuna italiana de Amatrice. Pouco depois, entre os relatos fotográficos que invadiram a internet, estava a imagem deste cão, que se recusou a abandonar o caixão do dono.

Era o cocker spaniel de Andrea Cossu, um italiano de 47 anos, casado, sem filhos, que estaria de férias ali perto. "Chamámos-lhe Flash, porque era incansável", contou então Rita, a mulher de Andrea, à imprensa. "Agora, é o que me resta".

Amigos para sempre

Takashi Aoyama/getty Images

É uma das mais conhecidas histórias de fidelidade de cãos aos seus donos e começa em 1924, quando Hachikō foi levado para Tóquio pelo seu dono, Hidesaburō Ueno.

Ueno, que era professor, ia todos os dias de comboio para a universidade onde dava aulas e o cão acompanhava-o sempre até à estação - a que voltava, no fim do dia, no regresso a casa.

A rotina manteve-se até que, no ano seguinte, houve uma tarde que o professor não voltou: Ueno ainda estava na universidade quando sofreu um AVC que lhe seria fatal.

Na noite do velório, Hachikō não quis ficar no jardim como habitual e passou a noite deitado ao lado do caixão. Depois, seria enviado para casa de outros familiares mas várias vezes fugiu para voltar à casa que era de Ueno.

Quando percebeu que estava vazia, passou a ir todos os dias à tal estação, esperando que o dono voltasse. E fez isso dia apóis dia, ano após ano, durante 10 anos. Hachiko só morreria em 1935.