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“Foram os prémios Nobel que salvaram a minha vida” 

Sociedade

No dia da entrega do Nobel da Medicina a James Allison e Tasuku Honjo, pelo desenvolvimento da imunoterapia no combate ao cancro, o sueco Thomas Dahl fez questão de lhes agradecer pessoalmente a descoberta

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Os doentes agradecem e eles gostam. Hoje, os laureados em Medicina no ano passado aproveitam o Dia Mundial da Luta Contra o Cancro para falar da esperança que o seu tratamento está a levar aos doentes de todo o mundo

Hoje há um agradecimento especial a correr as redes sociais: é o de Thomas Dahl, que chegou a preparar-se para morrer depois de ter sido diagnosticado com cancro, há dois anos.

Aceitou, prontamente, o tratamento convencional até que, pouco mais de um ano depois, na primavera passada, lhe disseram que a quimioterapia e a radioterapia a que se sujeitara não tinham surtido o efeito desejado. Por essa altura, também já lhe tinham retirado metade da garganta na mesa de operações.

Foi quando lhe propuseram esse tratamento inovador chamado imunoterapia. Meses depois, em outubro de 2018, recebia a melhor notícia da sua vida: "estava livre!" O mais curioso da história? Foi exatamente no dia seguinte a James Allison e Tasuku Honjo, os investigadores que desenvolveram aquele tratamento, terem sido distinguidos com o Nobel da Medicina.

Perante isso, o sueco, de 51 anos, não hesitou em esperar pelo fim da cerimónia da entrega do Prémio, em Estocolmo, para lhes agradecer pessoalmente – e contar a sua história ao mundo. “Os Nobel salvaram a minha vida."

“É muito bom saber destes casos”, assumem hoje Allison e Honjo, sem esconderem o orgulho que sentem pelo significado que o seu trabalho tem para tanta gente – uma declaração que hoje, Dia Mundial da Luta contra o Cancro, está a ser repetida na página da Academia Sueca, nas redes sociais. “Acaba por não ser apenas um tratamento contra o cancro – mas a forma de libertar as pessoas desse fardo que é achar que se tem uma doença que as vai matar", assumem.

Afinal, nem a vida de um nem a de outro passaram ao lado de doentes destes. “Lembro-me que há uns anos um grande amigo morreu com cancro no estômago, o que me deixou muito triste. Pensei logo que devia haver uma forma de evitar que outras pessoas tivessem o mesmo fim de vida”, confessou o imunologista japonês Honjo, que cumpriu há poucos dias os 77 anos.

Já Allison, de 70, acabou a revelar que tinha dez anos quando se deparou pela primeira vez com esta doença que rouba a esperança às pessoas. “Foi quando a minha mãe morreu com um linfoma”.