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Palhinhas? Sacos? Guerra ao plástico aponta agora para outro alvo

Sociedade

Cigarro de quatros metros de altura usado numa campanha de consciencalização, em 2016, nas ruas do Rio de Janeiro, no Brasil, para o problema das betas deitadas ao chão ou deixadas nos areais

NurPhoto/Getty

A guerra ao plástico tem duas frentes declaradas: os sacos e as palhinhas. Mas há um outro inimigo do ambiente que tem sido desconsiderado e cuja produção chega aos 6 biliões por ano

Os filtros dos cigarros que, depois de fumados, damos o nome de beatas. São elas o maior “objeto” de lixo do mundo.

A maior parte dos fumadores pensa que os filtros dos cigarros são feitos de materiais biodegradáveis, mas não. São produzidos a parir de acetato de celulose – um tipo de plástico que leva até uma década para decompor-se.

Agora, a União Europeia quer pôr um fim ao lixo produzido pelas milhões de pontas de cigarros deitadas fora de qualquer maneira ao exigir que a indústria tabaqueira financie uma forma mais limpa de filtro como forma de reduzir os plásticos de uso único.

Dos cerca de 6 biliões de cigarros produzidos anualmente 90% têm filtros que contêm plástico, o equivalente a um milhão de toneladas de plásticos.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, dois terços das beatas são deitadas fora de forma irresponsável, seja na areia das praias, para o chão, ou para as sarjetas e, depois, são arrastadas para riachos, rios e oceanos. Normalmente, são o lixo mais recolhido quando se fazem limpezas nos areais.

Em Londres, em 2008, também foi feita uma campanha contra as beatas deitadas para o chão

Em Londres, em 2008, também foi feita uma campanha contra as beatas deitadas para o chão

Cate Gillon/Getty

Num estudo recente, segundo a CNN, foram colocados vários peixes em aquários em cuja água tinham posto e retirado beatas. Metade dos peixes morreu em quatro dias, revelando que os filtros são tóxicos para o ambiente marinho.

O Parlamento Europeu apoiou, em outubro de 2018, uma proposta que obrigava os países da UE a remover 50% do plástico dos filtros até 2025 e 80% até 2030.

No entanto, a proposta foi rejeitada e, em vez disso, a indústria tabaqueira tem de promover ações de consciencialização, fornecer cinzeiros públicos e limpar as beatas, além de terem de acrescentar uma menção nos maços de cigarros que refira que os filtros contêm plástico prejudicial ao meio ambiente.