Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Prémio para professor do ano está de volta

Sociedade

D.R.

Bons resultados académicos, aplicação dos conhecimentos e impacto além da escola são alguns dos requisitos necessários para entregar o título que reconhece o trabalho da docência, nesta segunda edição nacional do “Nobel” da Educação

“Não chega ter um projeto inovador: queremos reconhecer aqueles que dignificam a profissão de professor”, avisa Afonso Mendonça Reis, 35 anos, presidente do júri do Global Teacher Prize Portugal, antes de elencar os méritos necessários ao próximo professor do ano, no nosso país. “É uma missão que tem de transcender largamente a transmissão de conteúdos” - como quem diz, bons resultados académicos, aplicação desses conhecimentos, impacto além da escola… Os resultados da primeira edição, no ano passado, permitem-lhe agora ambicionar ir mais longe: “houve pais que nos contaram terem feito dezenas de quilómetros para irem conhecer este ou aquele professor que foram finalistas da primeira edição”. E isso, no seu entender, mostra que este prémio é também a oportunidade de partilhar saberes e trazer a Educação para a ordem do dia.

Esse tem sido o mote da sua vida desde que, em 2010, criou o Mentes Empreendedoras, desafiando jovens do Secundário a criarem projetos para lá da sala de aula, desde a instalação de painéis solares no telhado da escola a dedicarem algum do seu tempo livre a acompanhar idosos. Pouco tempo depois, estava a partilhar o seu trabalho como global shaper no Fórum Económico Mundial, em Davos - e foi aí que conheceu o CEO da Fundação Varkey, a criadora do prémio internacional, que o convidou para integrar o júri do prémio internacional. “Sabemos que um professor motivado pode fazer toda a diferença. Além do dinheiro, o reconhecimento do seu trabalho é também uma grande mais valia.”

A reviravolta que este prémio já provocou na vida de Jorge Teixeira, professor de Ciências do Secundário, em Chaves, o vencedor da edição de estreia, em 2018, é mais do que prova disso. Primeiro, porque o seu projeto de criar um centro de recursos laboratoriais móvel para levar a ciência a locais remotos está a caminho de se tornar uma realidade ( “gostava de o apresentar publicamente em maio, quando a minha escola celebra o seu centenário”, confessa à VISÃO). Depois, porque se rendeu finalmente ao Facebook e acabou por descobrir que antigos alunos seus estavam um pouco por todo o mundo - em França e em África, no Google e no MIT.

“Um outro que trabalha como guia turístico acabou por confessar-me que, apesar de não ser muito bom aluno, muitas vezes socorria-se da Física nos tempos mortos e que isso se devia às minhas aulas”, contou ainda Jorge Teixeira, pouco antes de posar para a fotografia ao lado de Afonso Mendonça Reis, atrás de uma placa em que se lê #teachersmatter. “O que queremos é que, um pouco por todo o lado, se replique esta hashtag”.

Álvaro Laborinho Lúcio, esse mesmo, jurista e ex-ministro da Justiça, e presidente honorário do júri nacional, faz ainda questão de sublinhar que não se trata apenas de enaltecer o professor, mas de lhe dizer que ele tem um imenso poder na mão, um pouco a lembrar o lema “Com um grande poder, vem uma grande responsabilidade”, à maneira de Peter Parker, o homem-aranha.

“É importante criar auto-estima ao professor mas é preciso que se lhe diga também que a sua responsabilidade é muito grande. Estamos num tempo em que a educação e a escola são essenciais para criarem uma geração capaz de definir o seu próprio destino. Caminhamos demasiado na ideia do pensamento único e que tudo é inevitável e temos de lutar contra isso. E os melhores não são aqueles que ensinam bem mas aqueles que têm uma real função modificadora”, sublinha ainda aquele jurista interessado nos direitos da criança, reconhecendo-se alinhado com a medida agora anunciada pelo governo de avaliar as escolas pela inclusão e não pelos rankings. “È verdade que isto torna a profissão de professor muito mais difícil mas também muito mais entusiasmante”.

As candidaturas à edição nacional do GTP são feitas online (em www.globlateacherprizeportugal.pt), através de um formulário em que o professor explica porque motivo entende merecer o prémio - e decorrem até 3 de março. Abrange professores de todos os níveis de ensino, desde o pré-escolar até ao 12º ano, de todas as áreas, no ensino público, privado, cooperativo e especial. Portugal é um dos 17 países a ter uma edição nacional.

Na sua génese, trata-se de um prémio mundial de 1 milhão de dólares, tal qual os prémios Nobel, cuja primeira edição ocorreu em 2015 e que, anualmente, distingue um professor que se tenha destacado pelo trabalho excecional, contribuindo para a valorização da profissão. Na visão do seu fundador, Sunny Varkey, da Varkey Foundation, responsável pelo GTP, “ensinar tem de ser a profissão mais importante do mundo e merece por isso o máximo respeito”.