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Marc Jacobs processado pelos Nirvana por se apropriar de um símbolo da banda

Sociedade

O designer americano reeditou a coleção grunge que o fez famoso. Mas a "adaptação" de um desenho de Kurt Cobain para uma t-shirt de 125 euros pode custar-lhe caro

Foi às cavalitas do grunge, o som de Seattle que definiu a música dos anos 90, que Marc Jacobs saiu do anonimato. A sua proposta para a primavera de 1993 começou por ser demolida pela crítica, e levou a que fosse despedido pela Perry Ellis, mas a popularidade da música de Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden e Alice In Chains era tal que o público aderiu em massa.

Em novembro passado, Jacobs decidiu reeditar a coleção, mas agora, talvez a temer que as novas gerações não percebam a ligação, acrescentou a algumas peças um logotipo descaradamente decalcado de uma imagem associada aos Nirvana: o smiley desenhado por Kurt Cobain em 1991, com a língua de fora. As únicas diferenças visíveis são as iniciais "MJ" no lugar dos olhos e a palavra "Heaven" por cima, em vez de Nirvana - mas escrita exatamente no mesmo tipo de letra usado pela banda nos seus álbuns e material promocional.

Os membros sobreviventes da banda, Krist Novoselic e Dave Grohl, não gostaram da apropriação do desenho, que a banda registou em 1992 como propriedade intelectual, e deu indicações aos seus representantes para processarem a empresa do designer. A queixa, que deu entrada num tribunal da Califórnia a 28 de dezembro, alega que o objetivo de Marc Jacobs é colar-se aos Nirvana para fazer a sua coleção parecer "mais autêntica".

O logo é central na coleção em causa: o próprio designer publicou uma foto sua no Instagram com uma das t-shirts polémicas. Além disso, a marca não se deu ao trabalho de disfarçar a ligação com a banda americana, o que lhe dificultará a defesa em tribunal. No site da empresa, as camisolas com o smiley (que custam entre €125 e €205) são descritas como tendo "cheiro a espírito adolescente". "Smells like teen spirit", no original, o título da música mais popular dos Nirvana.

Controvérsias à parte, é quase certo que pelo menos em Seattle a coleção grunge deverá ser recebida com a mesma incompreensão de há 26 anos - era motivo de chacota entre os locais as celebridades passearem-se por Los Angeles de camisas de flanela e botas Doc Martens, a suar em bica no calor californiano para estarem na moda. Afinal, a roupa grunge tinha uma razão de ser: o frio e humidade do noroeste dos EUA.