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Mar Morto está a encolher a uma velocidade alucinante e poderá não ser mais do que uma piscina dentro de algumas décadas

Sociedade

Anadolu Agency/Getty

Anos de seca e exploração mineral fizeram encolher o Mar Morto para níveis preocupantes e os cientistas alertam que, a continuar assim, descendo 1,5 metros todos os anos, não sobrará mais do que uma pequena piscina em meados deste século

A seca e as políticas fracassadas para tentar evitar o que tem sido descrito como um “desastre ambiental em câmara lenta” podem acabar com esta atração turística intrinsecamente ligada à religião.

Além das fábricas que extraem minerais evaporando a água, o crescimento da população e, consequentemente, uma maior procura de recursos hídricos têm contribuído para o desastre ambiental.

O Rio Jordão – onde Jesus foi batizado – é hoje um pálido reflexo do que foi outrora e o Mar da Galileia também está muito abaixo do nível que deveria ter.

A costa descoberta revela terra rachada e ressequida em locais onde a água, em tempos, passava a rodos entre a Jordânia, a Cisjordânia e Israel. Os sinais desoladores estão por todo o lado, conta a reportagem da Sky News.

A erosão criou poços secos que, sob o sol tórrido do Médio Oriente, tornam o local inacessível. Alguns resorts tiveram de fechar e outros, construídos à beira mar há algumas décadas, têm, agora, de levar os turista de trator até ao mar.

Ofir Katz, ecologista do Mar Morto e do Centro de Ciências Arava, diz, à Sky News, que o que está a acontecer é catastrófico: “É uma lição para todos: não brinquem com a natureza, ela vencerá sempre e nós perderemos sempre.” E acrescenta que “se continuarmos a tirar água doce da natureza do Mar da Galileia, do Rio Eufrates ou do Nilo, vamos acabar por arruinar o meio ambiente local”.

O Mar Morto é uma grande atração turística: os visitantes gostam de balançar nas águas salgadas e untar-se com lama porque, dizem, têm propriedades curativas.

O ambientalista Gidon Bromberg, da Ecco Peace, atribui responsabilidades: “O desaparecimento do Mar Morto é o reflexo da insustentabilidade dos recursos hídricos de toda a região e é causado pela concorrência entre Israel, Jordânia e o norte da Síria pela água”.

Tanto do lado de Israel como da Jordânia, a indústria dos minerais continua em marcha e sem sinais de abrandamento.

Segundo Gidon é mais importante do que nunca trabalhar em conjunto e recorrer às plantas de dessalinização, por exemplo. É urgente tratar do assunto ou “surgirão mais conflitos por causa dos recursos hídricos cada vez mais escassos”, acrescenta.