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Porque uma má noite de sono torna mais provável uma queda no dia seguinte

Sociedade

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Apesar do número pequeno de participantes, um estudo da universidade britânica de Warwick permitiu aos investigadores descobrir porque é mais provável dar uma queda depois de uma noite mal dormida

A falta de sono diminui a capacidade humana de manter a postura e o equilíbrio, concluiu o estudo, que envolveu 20 adultos, pelo que a probabilidade de cair é maior depois de uma noite às voltas. A explicação está na visão, que desempenha um papel fundamental na habilidade de manter o corpo firme quando em pé e que é afetada pela insuficiência de horas de repouso.

"Todos temos experiência direta disto. Quando não dormimos bem, podemos sentir-nos um pouco tontos e a capacidade de controlar a nossa postura e o equilíbrio fica, de alguma forma, diminuída", lembra Leandro Pecchia, o principal, autor de estudo, que quis perceber porque é que isto acontece.

Os investigadores da Universidade de Warwick avaliaram, durante dois dias consecutivos, 20 adultos saudáveis quanto às horas de sono e a relação deste fator com o seu equilíbrio. Os padrões de sono foram monitorizados com sensores que mediam os seus batimentos cardíacos, ao passo que o equilíbrio foi avaliado com recurso a medições do centro de pressão, ou COP, que avalia como os olhos e o cérebro trabalham em conjunto para manter, continua e inconscientemente, o controlo postural. Qualquer um destes registos foi feito com os participantes nas suas casas.

Publicado no Scientific Reports, o estudo permitiu aos investigadores concluir que um ou dias de problemas de sono bastavam para originar flutuações no COP. O resultado? Problemas de equilíbrio e... isso, mesmo, quedas.

Dada a dimensão reduzida da investigação, os autores sublinham que serão necessários novos estudos mais alargados para confirmar esta ligação, mas, para já, congratulam-se com a ajuda que a sua descoberta pode representar na prevenção das quedas em idosos.

"Quando estamos em forma e com saúde, o nosso corpo consegue adaptar-se e desenvolvemos uma estratégia para manter o nosso equilíbrio, evitando quedas e incidentes", explica Leandro Pecchia, acrescentando que "esta capacidade diminuiu com o envelhecimento ou quando há outros problemas coexistentes que possam comprometer a nossa capacidade de nos adaptarmos".

O investigador vê utilidade na aplicação dos resultados deste estudo, por exemplo, em ambiente hospitalar, onde a falta de familiaridade as luzes e os ruídos noturnos podem dificultar o sono. O especialista acredita que usar a tecnologia já existente para detetar alterações no sono dos doentes hospitalizados mais idosos pode ajudar a criar uma intervenção personalizada e evitar quedas no dia seguinte.

"Um dos problemas na prevenção das quedas é que nós sabemos que o sujeito frágil vai cair, mas é muito difícil prever quando. O nosso estudo é o primeiro passo para encontrar uma solução", conclui Pecchia.