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Mais investigação é a chave para tratar o cancro do pâncreas

Sociedade

Carlos Carvalho, diretor da unidade de cancro digestivo da Fundação Champalimaud

José Carlos Carvalho

Vários especialistas de várias partes do mundo estão reunidos na Fundação Champalimaud, em Lisboa, para discutirem novas formas de terapia e diagnóstico do cancro do pâncreas

É a segunda causa de morte por cancro nos EUA e prevê-se que em dez anos esteja no top três na Europa. Para travar o aumento de casos de tumor pancreático é preciso encontrar novos tratamentos e formas de diagnóstico precoce e é isso que estão a debater esta quinta-feira especialistas de várias partes do mundo.

Este “focus meeting” - troca de experiências entre vários médicos – decorre no Dia Mundial do Cancro do Pâncreas, uma das “bestas negras” da oncologia, como lhe chamou um dia o médico e investigador Manuel Sobrinho Simões, devido ao facto de o diagnóstico ser quase sempre tardio e não existir uma terapêutica eficiente para atacar um dos cancros mais mortais (a taxa de sobrevivência global é de 10%). É a segunda causa de morte por cancro nos EUA e, prevê-se, daqui a dez anos deverá ser a segunda ou terceira na Europa.

Carlos Carvalho, diretor da unidade de cancro digestivo do Centro Champalimaud e um dos oradores do “focus meeting”, aponta o diagnóstico precoce como a “primeira das apostas” para tornar este tumor mais fácil de tratar. Porque, diz à VISÃO no intervalo do encontro, “este é um cancro difícil”.

O rastreio para a população em geral ainda não é possível, mas existem “estudos avançados” para que possa ser diagnosticado através de “uma marcador sanguíneo”. “É uma esperança importante”, diz.

Para o especialista, a segunda aposta é “começar a identificar populações de maior risco”, pois quando o diagnóstico é feito, mais de metade dos doentes já tem metástases.

A terceira aposta é perceber porque razão este tumor tem uma “capacidade de resistência aos medicamentos tão grande” e porque “evolui de forma tão rápida”.

Para se perceber melhor, as células cancerígenas do cancro do pâncreas “ganham uma fibrose à sua volta” que as defende das terapêuticas, é como se o cancro se protegesse a si próprio. Quando se metastisa para outro órgão acontece o mesmo, é criado um tecido em redor.

É, também por isso, que a imunoterapia tem um sucesso residual nestes doentes. Apenas tem “efeito em 1% dos casos”.

“Temos de arranjar novas formas de imunoterapia que não as de hoje. Devemos olhar para os tratamentos que já estão disponíveis e melhorá-los através de novas estratégias”, explica Carlos Carvalho.

Recorde-se que a Fundação Champalimaud vai abrir, em 2020, um centro de investigação e tratamento do cancro do pâncreas. Este projeto conta com o financiamento de 50 milhões de euros de Mauricio e Chalotte Botton (Mauricio é neto do fundador na empresa Danone). O “Boton Champalimaud Pancreatic Center” será construído em Belém, ao lado do Centro Champalimaud para o Desconhecido em Belém.

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