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E se as turbinas eólicas forem as novas predadoras de aves?

Sociedade

AFP/Getty

Cientistas dizem que os parques eólicos devem ser construídos em zonas que não prejudiquem a vida selvagem

A diminuição do número de aves de rapina em áreas onde existem turbinas eólicas (moinhos de ventos com hélices que se movimentam com a força dos ventos) pode ter efeitos na cadeia alimentar. Para minimizar esse impacto no ecossistema os ecologistas devem estar em permanente contacto com a indústria das energias renováveis.

É esta a principal conclusão de um estudo do Instituto Indiano de Ciência, em Bengaluru, e publicado no jornal científico Nature Ecology & Evolution.

Os investigadores analisaram o número de aves de rapina numa cordilheira indiana repleta de turbinas eólicas e chegaram que à conclusão que é quatro vezes menor do que devia porque os animais evitam a zona. Além disso, houve um aumento exponencial de presas destas aves que, até, se tornaram mais confiantes em relação à presença humana devido à diminuição de predadores.

“Apenas acrescentámos mais um predador – a turbina de vento. Não marta, mas o resultado é o mesmo”, explico a cientista Maria Thaker ao jornal The Independent.

O tipo de efeito em cascata no ecossistema serve de alerta para o cuidado que é necessário ter para que não haja, a longo prazo, consequências perigosas na natureza.

Estas enormes estruturas têm impacto na vida selvagem, já que as aves podem ser mortas ou ficar assustados com as enormes pás da hélice.

No entanto, e devido ao papel importante que esta energia limpa tem hoje em dia, principalmente na redução do consumo de energia fóssil e, como consequência, na diminuição do impacto das alterações climáticas, os investigadores dizem que é preciso um compromisso para que os parques eólicos sejam construídos em zonas onde o embate com a natureza seja o menor possível.

“Temos de ser inteligentes em relação ao lugar onde pomos as turbinas, escolhendo zonas que não sejam insubstituíveis”, acrescentou Maria Thaker.