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Astrónomos detetam sinais do dramático espetáculo de buracos negros massivos a fundirem-se

Sociedade

MARK GARLICK/ Getty Images

A descoberta apoia uma teoria sobre a forma como o universo se desenvolverá no futuro, com as galáxias e os seus buracos negros a unirem-se uns aos outros, criando galáxias e buracos negros cada vez maiores

Uma investigação publicada esta quarta-feira no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society dá conta da descoberta de provas da existência de um grande número de buracos negros supermassivos duplos, prováveis precursores de gigantescos eventos de fusão de buracos negros. A descoberta confirma a convicção atual de que as galáxias e os seus buracos negros se fundem com o tempo, formando galáxias e buracos negros cada vez maiores.

Antes de se fundirem, os buracos negros formam um buraco negro binário, isto é, dois buracos negros que se orbitam mutuamente. Desde 2015 que telescópios capazes de captar ondas gravitacionais permitiram confirmar a fusão de buracos negros mais pequenos, mas até aqui ainda não tinha sido possível demonstrar a existência destes pares de buracos negros supermassivos.

O que astrónomos da Universidade de Hertfordshire, Inglaterra, em conjunto com uma equipa internacional de cientistas, conseguiram descobrir foram sinais que estariam normalmente presentes quando dois buracos negros se orbitam com grande proximidade - a alteração da direção das poderosas correntes que os buracos negros supermassivos, autênticos gigantes do espaço, emitem.

Os astrónomos estudaram a direção destas correntes e a sua variação e concluiram estar na presença deste processo que antecede a fusão de buracos negros supermassivos.

"Estudámos as correntes em diferentes condições durante muito tempo com simulações de computador", explica Martin Krause,, principal autor do estudo. "Na primeira comparação sistemática com mapas de rádio de alta resolução das fontes de rádio mais potentes, ficámos estupefactos ao descobrir estas assinaturas que são compatíveis com a precessão [alteração do eixo de rotação) da emissão de correntes em três quartos das fontes."