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Relatório traça cenário alarmante caso aquecimento global ultrapasse os 1,5 graus

Sociedade

Chris Clor/Blend Images

Um relatório de especialistas da ONU advertiu esta segunda-feira que o mundo terá de avançar com transformações "rápidas e sem precedentes" nos sistemas de energia, transportes, construção e indústria para limitar o aquecimento global a 1,5º Celsius

Se "continuar a crescer ao ritmo atual", sob o efeito da emissão de gases com efeito de estufa, o aquecimento global deverá ultrapassar esta barreira entre 2030 e 2052, alertou o relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC).

O documento apresentado em Incheon, na Coreia do Sul, explora alternativas para limitar o aquecimento a 1,5ºC em vez de 2ºC, meta estabelecida no Acordo Climático de Paris.

Para os especialistas, os efeitos para o planeta serão "muito menos catastróficos" se a barreira mais ambiciosa for alcançada.

Limitar o aquecimento a 1,5ºC pode impedir, por exemplo, a extinção de espécies e a destruição total do coral, fundamental para o ecossistema marinho. Pode ainda reduzir a subida do mar em 10 centímetros até 2100 e salvar áreas costeiras.

Por outro lado, exceder esse limite irá provocar chuvas torrenciais ou secas profundas, o que terá um impacto negativo na produção de alimentos, especialmente em áreas sensíveis como o Mediterrâneo ou América Latina.

Também irá afetar a saúde, o abastecimento de água e o crescimento económico, com um impacto especialmente negativo nas populações mais pobres e vulneráveis do planeta, referiu o texto, que tem seis mil referências científicas e é assinado por 91 especialistas de 40 países.

Para que a meta seja alcançada, é urgente um consumo de energia mais eficiente, uma agricultura mais sustentável e menos extensiva, ou mais terras para o cultivo de recursos energéticos.

O relatório, dirigido aos países da Convenção-quadro da ONU sobre alterações climáticas, será usado como base para as discussões da 24.ª cimeira do clima, em Katowice, na Polónia, em dezembro próximo.

O documento foi encomendado pela ONU após o Acordo Climático de Paris de 2015, no qual os signatários se comprometeram a manter o aquecimento global abaixo de 2ºC e limitá-lo a 1,5ºC em relação aos valores registados no século XIX.

com Lusa