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Tudo o que precisa de saber sobre a (não) mudança da hora

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A Comissão Europeia propõe o fim da mudança da hora. E agora, ficamos com a hora de verão ou de inverno? E ainda mudamos a hora em outubro ou ficamos já assim? Respondemos a esta e a outras perguntas sobre a extinção de uma longa - e nada consensual - tradição

A Europa perguntou, os europeus responderam: 80% dos 4,6 milhões de pessoas que participaram no inquérito sobre a mudança da hora responderam que preferem não mexer nos relógios. E a maioria delas prefere manter o tempo que temos neste momento. "Milhões acreditam que, no futuro, a hora de verão deveria ser para o ano todo, e é isso que vai acontecer", disse o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

Mas porque é que se decidiu agora acabar com a mudança da hora? E quando vamos não mudar? E qual é a nossa hora padrão, a de verão ou a de inverno? Aqui ficam as respostas a algumas dúvidas sobre este momento histórico.

Como começou o debate?

Há muito que se discute a necessidade de manter a mudança da hora, face às reticências crescentes sobre as vantagens que justificaram a sua implementação - nomeadamente a poupança de energia, que vários estudos consideram inexistente, inconclusiva ou, no máximo, residual. Mas o verdadeiro pontapé de partida foi dado através de uma petição na Finlândia, com mais de 70 mil assinaturas, em que se pedia o fim desta prática.

Qual a justificação para deixar de mudar a hora?

Vários estudos médicos têm apontado para efeitos negativos da mudança da hora na saúde. Este argumento, no entanto, não convence toda a gente. "As pessoas dizem que se sentem mal, mas o impacto não é assim tão grande", garante Rui Agostinho, diretor do Observatório Astronómico de Lisboa, que determina a hora legal do País com relógios atómicos, de altíssima precisão. "Queixam-se durante quatro dias, mas gostam dos outros 206, os sete meses com hora de verão."

Ainda mudamos a hora este inverno?

Quase certamente que sim. A proposta da Comissão Europeia terá agora de ser votada no Parlamento Europeu e aceite pelos 28 países da União. Só por milagre isto aconteceria antes de 28 de outubro - o último domingo do mês, data em que os relógios atrasam uma hora.

Qual é a hora "original"?

Apesar de passarmos mais tempo com a hora de verão, o padrão é a hora de inverno. Em Portugal, é também a hora de inverno que fica mais próxima da hora solar, com uma diferença de 37 minutos. Quando o sol está no seu ponto mais alto (o meio-dia solar), são 12h37 no inverno e 13h37 no verão.

Isso significa que ficamos com a hora de inverno?

Não. Cada Estado-membro vai decidir que hora lhe é mais conveniente, mas a Comissão Europeia já avisou que tudo terá de ser planeado em conjunto. Se cada um definir a hora à sua maneira, haverá impactos económicos negativos, alertou a instituição. De qualquer forma, a maioria dos inquiridos disse preferir a hora de verão, e o presidente da Comissão também aponta nesse sentido.

A hora de verão é a melhor escolha?

Rui Agostinho, do Observatório, considera-a "um mal menor". "Mas o repouso e a atividade respondem à luz solar, e vamos pagar um preço por manter essa hora. Desperdiçamos as horas de sol de manhã e diminuímos as de sol no final do dia, que podmeos aproveitar para atividades de lazer ou desporto. E, pior, em dezembro e janeiro o sol nascerá bem depois das oito da manhã. Quem entra na escola ou no emprego às oito da manhã, entra ainda sem sol. Vai ser duro."

A mudança da hora é a regra?

Não. A maior parte da população mundial mantém não muda os relógios. Na Ásia, apenas o Irão, Israel, Líbano, Síria, Jordânia e Turquia o fazem (estão de fora gigantes como a China e a Índia, por exemplo). Em África, só Marrocos. Nas Américas, é igualmente uma minoria: EUA, Canadá e México, sim; na América do Sul, são muito menos os que adiantam e atrasam a hora.