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Saiba o que fazer para o telemóvel não lhe estragar as férias

Sociedade

Desligar o email e as notificações podem ser o primeiro passo para umas férias mais tranquilas. Mas há muito mais que pode fazer para o telefone não lhe arruinar o tempo de descanso (porque pode arruinar mesmo)

Tempo de férias é tempo de desligar o telemóvel? Ou de desligar do telemóvel? A forma obsessiva com que muitos se relacionam com o objeto que é considerado uma extensão da nossa mão faz do mundo real apenas “uma coisa que está acontecer”. A urgência em estar sempre a ver quem escreveu o quê no Facebook ou pôs uma foto no Instagram transformou-se numa neurose compulsiva que nos leva a estar demasiado focados num ecrã.

A jornalista norte-americana Catherine Price, autora do livro How to Break up With Your Phone, escreveu, no The New York Times, uma série de conselhos para que o telemóvel não dê cabo das suas férias.

A saber:

Defina o seu objetivo para as férias

Pergunte a si mesmo – e a quem o(a) acompanha – qual é o objetivo da viagem? Relaxar? Experimentar coisas novas? Passar tempo juntos? Fugir da rotina? Ou seja, como quer realmente passar o tempo? Anote os seu objetivos, tire uma foto e defina-a como imagem no ecrã de bloqueio para se lembrar sempre que, instintivamente, pegar no telefone.

Identifique o uso que lhe quer dar

Tirar fotos? Navegar na net? Saber como vão as coisas no trabalho? Saber o que se quer fazer com o telefone ajuda a perceber quando se está a usá-lo para coisas que não estão na lista.

Lembre-se: quando “entra” também está a “sair”. Como não podemos estar em dois sítios ao mesmo tempo, mental e fisicamente, sempre que a atenção vai para o telefone, está a desviá-la de outra coisa.

Antes de ir de férias, prepare o telefone

Apague as aplicações que só trazem “problemas” - normalmente são as que nos dizem o que está a acontecer a qualquer momento, como as redes sociais, email, jogos ou notícias. Aquelas que oferecem novidades, imprevisibilidade e uma recompensa próxima do zero. Pode sempre consultar alguma coisa através da internet e, depois, reinstalá-las. Porque não experimentar umas férias sem Instagram?

Organize o ecrã principal à prova de tentações

Mude as aplicações de local para que no ecrã principal apenas apareçam as mais práticas, como a câmara, os mapas ou uma ferramenta de tradução. Estas pode usar à vontade. Coloque as outras numa pasta conjunta ou numa outra página para que aqueles símbolos a brilhar não sejam uma tentação.

Desligue todas as notificações, exceto aquelas que quer mesmo receber enquanto está de férias. Aqueles círculos com números vermelhos que aparecem nos símbolos também são notificações, ponha-os em off também. Incluindo o email.

Reduza “o medo de estar a perder alguma coisa” através da configuração de respostas automáticas de férias para o email, voice mail e sms.

Se não quiser estar a olhar para o telefone, mas quer estar contactável em casos de emergência primeiro defina “emergência”. Se são problemas familiares? Ou problemas no trabalho? A seguir utilize o modo “Não Incomodar” com as exceções: pessoas que lhe podem telefonar ou enviar mensagens.

Se é um(a) escravo(a) do email pondere não o ver de todo durante as férias. Se deixar um “out of office” decente e der instruções aos seus colegas de trabalho o que é que de pior pode acontecer?

Caso ache que a abstinência total é demais comprometa-se a ver o email apenas duas vezes por dia, de preferência através de um computador. Apague a aplicação do email e reinstale-a quando regressar.

E aqueles emails que quer mesmo receber? Da família e do chefe? Crie uma lista de VIPs e altere as notificações para apenas receber emails de quem estiver nessa lista.

As aplicações das redes sociais estão desenhadas especificamente para nos atrair. Se possível, não as utilize de todo. Apague-as do telefone. Se a ansiedade começar a aparecer pergunte-se porque é que é assim tão importante partilhar fotos ou experiências enquanto está a tê-las?

Lembre-se das alternativas. Se vai pôr o telefone de lado não se esqueça de levar outras coisas para aqueles momentos em que está quase a pôr os dedos no ecrã. Um livro, um baralho de cartas, um jogo de tabuleiro, um jornal...

Quer experimentar estar sem telefone, mas tem medo de tentar? Pode sempre deixá-lo em casa, mas se isso lhe soar demasiado radical experimente o seguinte: a cada dia, escolha um período de tempo ou atividade em que deixa o telefone para trás. Pense, depois, qual a sensação de não ter esse apêndice consigo. Primeiro talvez sinta alguma ansiedade, mas com o passar do tempo vai experimentar aquela estranha sensação de calma, pois dedilhar no ecrã aumenta a adrenalina, pricinpalmente quando as notificações estão ligadas.