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Reino Unido: Bebés geneticamente modificados a caminho?

Sociedade

Relatório de entidade britânica refere que modificar o DNA do embrião pode ser do melhor interesse da futura criança

MediaforMedical/Emmanuel Rogue/Getty

O relatório do reputado Conselho de Bioética do Reino Unido refere que alterar o DNA de embriões humanos pode ser “moralmente permissível”

O Conselho de Bioética de Nuffield do Reino Unido, um órgão independente com reputação internacional que aconselha políticos na área da medicina e biologia, abriu a porta à alteração genética de embriões humanos.

Segundo o último relatório agora divulgado, os investigadores dizem que alterar o DNA de embriões humanos pode ser “moralmente permissível” se isso for no melhor interesse do futuro da criança e não cause desigualdades na sociedade.

Esta luz vez do Conselho não pretende que as leis sejam alteradas no sentido de permitir bebés geneticamente modificados, ao invés, faz um apelo para que haja investigação sobre a eficácia desta abordagem, o impacto social que pode ter e um amplo debate sobre as suas implicações.

“Do nosso ponto de vista, alterar o genoma não é, em si, moralmente inaceitável”, refere Kaen Yeung, presidente deste Conselho e professora universitária de direito e ética, ao jornal The Guardian. “Não há razão para descartar esta hipótese.”

O relatório provocou reações imediatos, com os críticos a dizer que este princípio pode levar ao uso ilimitado da engenharia genética criando uma era de que tem e de quem não pode ter porque é pobre.

O facto de a tecnologia ao serviço da genética ter avançado tanto nos últimos anos deu, aos cientistas, a possibilidade de reescrever todo o DNA de células vivas. Ou seja, com todo o processo já desenvolvido é possível modificar o código genético do esperma, dos óvulos e dos embriões e mudar a forma como um bebé se irá desenvolver.

A lei não permite que isso se faça, mas experiências já realizadas mostraram que a modificação do DNA pode, em princípio, prevenir várias doenças causadas por genes deficientes.

O relatório defende que qualquer alteração tem sempre de ser no melhor interesse da criança e não pode ter efeitos nefastos na sociedade. Por isso, há que ter cautelas, como refere uma das autores do relatório ao The Guardian: assim como pode reduzir o número de pessoas com uma certa doença, pode levar a outras que já a tenham sintirem-se marginalizadas e com menos cuidados médicos.

Os autores pedem que seja criado um novo órgão que assegure um grande debate na sociedade para que as pessoas possam dizer o que deve ou não deve ser permitido.

Se, no futuro, for permitido alterar o DNA de embriões humanos, são da opinião que deve ser analisado caso a caso pelo regulador da área da fertilidade.