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Estão reunidas todas as condições necessárias à vida numa das luas de Saturno

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Space Frontiers

Cientistas descobriram que o sexto maior satélite natural de Saturno, Encélado, tem moléculas orgânicas complexas necessárias para haver vida, que provêm de aberturas do fundo do mar desta lua

Uma das luas de Saturno, Encélado, onde foi, anteriormente, descoberto um oceano líquido debaixo da sua crosta gelada, é o único corpo além da Terra que passa a reunir os requisitos básicos necessários para que haja vida, tal como se conhece. Isto porque, numa investigaçõ de cientistas da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, foram descobertas moléculas orgânicas complexas provenientes do oceano subterrâneo deste satélite - e que foram lançadas para o Espaço.

Este tipo de moléculas tinha sido apenas encontrado na Terra e em alguns meteoritos analisados. Agora, foram revelados dados recolhidos e enviados pela sonda espacial Cassini, antes da sua morte, em setembro do ano passado, que provam a existência de substâncias ricas em carbono.

Ao The Independent, Frank Postberg, um dos autores do estudo e quem liderou a pesquisa, disse que estas "moléculas orgânicas complexas não garantem, por si só, um ambiente habitável, mas que, ao mesmo tempo, são precursoras necessárias para a vida". Esta é a primeira descoberta de sempre de oganismos deste tipo de complexidade num ambiente aquático extraterrestre.

A nível geológico, já tinha sido possível perceber - também através de dados recolhidos pela Cassini, há mais de dez anos- que a Encélado é muito complexa: além do oceano de água salgada, onde existe atividade hidrotermal, e da sua crosta gelada com mais de 20 quilómetros de espessura, foram identificados compostos orgânicos como o metano e o hidrogénio. Além disso, percebeu-se que este satélite tem uma enorme fonte de calor.

"O hidrogénio fornece uma fonte de energia química que suporta os micróbios que vivem nos oceanos da Terra próximos às fontes hidrotermais", afirma Hunter Waite, co-autor do estudo no Instituto de Investigação de Southwest (Southwest Research Institute). Depois de ter sido identificada uma potencial fonte de alimento para os micróbios, a próxima questão, segundo o investigador, tem a ver com a natureza destes compostos orgânicos no oceano. "Este artigo representa o primeiro passo para essa compreensão", diz.

O estudo, publicado na revista científica Nature, pode indicar que esta lua, embora muito distante, é um dos lugares do Sistema Solar mais prováveis para sustentar a vida como é conhecida. Apesar de não haver missões planeadas como a Cassini, para continuar as investigações, Frank Postberg diz que a tecnologia existe e que espera, nos próximos anos, que novos projetos sejam definidos. "Temos um ambiente habitável e temos meios para investigar se há vida ou não lá", refere.