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E agora a praia das Avencas é uma área marinha protegida a sério

Sociedade

Inácio Ludgero / Arquivo VISÃO

Três anos depois de terem sido construídos trilhos para as suas rochas não serem pisadas à maluca, a praia de todas as visitas de estudo ganha mais proteção, sob a alçada exclusiva da Câmara de Cascais

Rosa Ruela

Rosa Ruela

Jornalista

Ao fim de vinte anos como Zona de Interesse Biofísico, a praia das Avencas passa a Área Marinha Protegida. É a segunda em Portugal, a primeira na região de Lisboa e também a primeira com gestão direta municipal. São cerca de 2 km de linha costeira e ¼ de milha náutica (cerca de 500 metros), situados entre as praias da Parede e S. Pedro do Estoril, que a partir de agora estarão sob a alçada exclusiva da Câmara de Cascais, através de um protocolo de delegação de competências.

A proposta foi avançada pela autarquia que, através da alteração do estatuto de proteção, pretende salvaguardar os valores naturais desta praia que muitos alunos da região de Lisboa conhecem das visitas de estudo. Dia sim, dia sim, quem passa na Marginal habituou-se a ver turmas de miúdos a aproveitarem a hora da maré vazante para observarem a elevada biodiversidade das Avencas.

Seguindo agora por trilhos instalados na plataforma rochosa posta a descoberto pela baixa-mar (uma novidade com apenas três anos), é fácil ver lapas, cracas, burriés, mexilhões, anémonas, camarões, caranguejos, alimento certo dos minúsculos pilritos que por ali aparecem. No verão, todas as atenções recaem na piscina natural, o “caldeirão” (como é conhecida) onde se chapinha entre tainhas e outros peixes.

Como Área Marinha Protegida, mantém-se a proibição de desportos náuticos motorizados e da ancoragem, assim como a apanha de moluscos e a pesca profissional, mas a pesca submarina passa a ser permitida de forma condicionada – até 7,5 quilos por dia (metade daquilo que habitualmente estipula a lei). Uma alteração a que se chegou após terem sido ouvidas a comunidade de caçadores submarinos e a comissão da pesca lúdica, e por se ter concluído que não representa um impacto muito grande na fauna marinha.

Segundo a Câmara de Cascais, as principais ameaças à preservação do habitat entre marés são o pisoteio, a perturbação no litoral rochoso pelos veraneantes, a poluição, a pesca e a apanha de bivalves. Três anos depois de ter começado a instalação de trilhos nas rochas, o ecossistema já está em franca recuperação. Quanto ao resto, na autarquia avisa-se que a fiscalização será ainda mais rigorosa.