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Cientista portuguesa na equipa que detetou o primeiro asteroide "imigrante" do nosso sistema solar

Sociedade

NASA/JPL/Space Science Institute

Em 2017 foi observado o primeiro visitante estrangeiro ao nosso sistema solar, mas agora, pela primeira vez, uma dupla de astrónomos, da qual fez parte a portuguesa Helena Morais, descobriu um objeto que "imigrou" para cá há cerca de 4.5 mil milhões de anos e tem passado despercebido desde então

Há milhares de milhões de anos que um objeto que veio de fora do nosso sistema solar se instalou perto de Júpiter. Os astrónomos acreditam que este exo-asteroide ("exo" por vir de fora) se "mudou" para cá logo nos primeiros tempos de desenvolvimento do sistema solar

Este "imigrante", batizado de 2015 BZ509, foi detado pelo super potente telescópio Pan-STARRS 1, localizado no Havai, o mesmo que encontrou o Oumuamua. Foi a sua órbita invulgar que fez com que os astrónomos reparassem nele.

A portuguesa Helena Morais, co-autora, com Fathi Namouni, do Observatoire de Nice, do artigo publicado esta segunda-feira no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: Letters, explica à VISÃO, por email, que o asteroide e Júpiter orbitam o Sol a aproximadamente a mesma distância, "mas movendo-se em sentidos opostos". Ou seja, tanto o "imigrante" como o gigante gasosos demoram o mesmo tempo a completar uma órbita em torno do Sol mas um move-se no sentido dos ponteiros do relógio e o outro ao contrário.

Se este objeto fosse "nativo" do nosso sistema solar, teria adotado a direção de todos os outros, o que deixa os astrónomos com a certeza de que veio de fora.

A astrónoma, que leciona na Universidade Estadual Paulista (UNESP), no Brasil, adianta que as simulações que a dupla de investigadores levou a cabo mostram que este visitante está nesta órbita retrógrada na vizinhança de Jupiter desde há cerca de 4.5 mil milhões de anos, o que corresponde à fase inicial do sistema solar quando os planetas tinham acabado de se formar.

"Nessa altura todos os nativos do nosso sistema solar (incluindo planetas e asteroides) giravam em torno do Sol no mesmo sentido", esclarece Helena Morais, explicando "não é possível ter órbitas retrogradas geradas no próprio sistema solar nessa fase tão inicial".

"O Oumuamua é um visitante ao sistema solar. Isso foi uma boa e importante confirmação de que objetos interestelares podem passar. Se podem passar, então também podem ser capturados numa órbita estrável, como é o caso do 2015 BZ509", acrescenta a investigadora, citada pela CNN.