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Cientista atravessa o país em BTT em nome da luta contra o cancro da mama

Sociedade

José Carlos Carvalho

Pedro Simas é cientista, gelateiro e desportista nato. Por estes dias atravessa o País de Norte a Sul, chamando a atenção para o cancro da mama, numa parceria com o Fundo IMM-Laço. Acompanhe a viagem no site da VISÃO

Sara Sá

Sara Sá

Jornalista

Imediatamente depois de terminar uma corrida, naqueles segundos em que deixa de pedalar e sente os músculos massacrados, o corpo suado e as reservas de energia a zero, Pedro Simas jura a si próprio "nunca mais faço isto." Mas a promessa dura pouco tempo. "Quando o sofrimento é controlado, é bom", diz, em jeito de justificação para, aos 52 anos, continuar a desafiar os limites do corpo, e da mente, em cima de uma bicicleta de todo o terreno.

Ser um cientista de topo, numa das mais relevantes instituições de investigação em Portugal - o Instituto de Medicina Molecular (IMM) - não lhe chega. Nem a "maluquice" de abrir uma geladaria, em pleno Chiado, em Lisboa, com o melhor da concorrência porta sim porta não, foi suficiente para lhe acalmar a vontade de superação.

"O homem sempre teve instinto de descoberta, de ir à conquista. Antes caçávamos e fomos expandindo o território. Hoje somos sedentários e tentamos compensar com o desporto", compara o virologista. "A competição dá imenso prazer." E também deixa cicatrizes: marcas do sol, arranhões e nódoas negras.

O que Pedro Simas chama de "prazer" pode parecer a muitos uma perfeita tortura: oito dias em cima de uma bicicleta, fora de estrada, para percorrer o País, de Norte a Sul, em regime de autossuficiência. Etapas de mais de cem quilómetros cada, faça chuva ou faça sol, pelo Portugal rural e montanhoso. É a prova TransPortugal, considerada uma das mais duras do género, em todo o mundo.

Há sete anos Pedro terminou a mítica etapa da Serra da Estrela com 39 graus de febre, por causa de uma amigdalite. Mas nem isso o levou a desistir. E lá chegou a Sagres, com a ajuda do antibiótico, mas sobretudo com o poder da força de vontade. "Só não desisti porque estava a correr pela Liga Portuguesa Contra o Cancro", admite.

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Este ano, vai mais bem preparado. Treinou melhor - desde janeiro, percorreu mais de oito mil quilómetros em cima do selim - estudou bem o tipo de alimentação a seguir antes e durante a prova, comprou uma bicicleta de carbono, muito leve e com uma geometria perfeitamente adequada às exigências da prova.

O que não mudou nada foi a intenção de correr pela luta contra o cancro. Desta vez o cientista leva o logotipo da Fundo IMM-Laço (uma parceria entre o IMM e a associação Laço que tem como finalidade apoiar a investigação na área do cancro). "O meu grande objetivo é dar a conhecer, apresentar o Fundo. Falo dele nos treinos, falarei durante a prova", avança.

Ao fim de duas etapas, Pedro Simas vai à frente, partindo com a camisola amarela - a prova funciona com um sistema de handicap, em função da idade. "O desporto ensina a não desistir. É muito útil em Ciência", conclui.

O equipamento:

- Bicicleta (em carbono, rígida, pesa 8, 850 kg)

- Luvas

- Capacete

- Água com carbo-hidratos, géis